terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Liga de "Cavalheiros"

Quando já parecia que a nossa Liga tinha recriado todos os argumentos que podem fazer de uma competição uma autêntica fantochada...eis que ontem se inventou mais uma polémica que promete fazer correr muita tinta, sobretudo ao nível mais grave que uma organização de espetáculos pode ter: a segurança dos adeptos.

Parece muito peculiar que indícios de falhas estruturais num estádio sejam detectados apenas e só (!) ao intervalo de um jogo. Ainda mais vai parecer estranho que tenham sido os adeptos da equipa que perdia o jogo, a fazê-lo. Juntando a tudo isto uma incapacidade para decidir em tempo real o que fazer, temos o princípio de um argumento fantasticamente merdoso para a reputação mínima da nossa Liga.

Os estádios não têm inspecções regulares? Quem realiza estas operações? O que aconteceu para que ninguém tivesse detectado antes as falhas? São falhas passíveis de colocar em perigo a segurança dos adeptos? De quem é a culpa? O jogo será retomado em que estádio e em que dia?

Uma competição dirigida por tantas pessoas a ganharem ordenados compatíveis com a responsabilidade que têm teria todas estas respostas, ou pelo menos 80% delas, prontas para responder num comunicado, informando os adeptos e normalizando a prova. Mas não. Ninguém aparenta saber quais as respostas e muito menos quando serão respondidas.

Descrédito é a palavra que me ocorre. Ainda por mais ao entender que o Porto estará a fazer de tudo ao seu alcance para adiar o jogo no maior tempo possível ou mesmo atribuir a derrota ao Estoril. Aos olhos do clube nortenho avizinha-se pelo menos mais uma hipótese de cavalgar na narrativa que mais lhe agrada, a vitimização e o agitar das bandeiras contra um "sul" que provavelmente até fragilizou os alicerces da bancada visitante da Amoreira só para que algo trágico sucedesse aos seus adeptos.

Para já, o facto mais evidente é que o Porto se safou de uma noite e de uma partida onde estava a perder ao intervalo e parecia não ter soluções imediatas para o resolver.

SL

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Notas Crónicas de Frio e Gelo

Bem que me apeteceu levar uma mantinha ontem, mas temi perder o meu ar cool de ando há anos a cultivar na bancada. Ainda assim, as mãos conseguiram parar de tremer para escrever algumas notas:

1/ Boa casa. 20h15...sair do estádio às dez e qualquer coisa, chegar a casa...onze e picos...com fome (!). Boa casa.

2/ RR7 de início para jogar no lugar de Podence? Então, mas não era para encostar o Acuña? Que raio, lá está o JJ a inventar. Na verdade o Acuña "encostou-se" o jogo todo, portanto ambos estivemos certos.

3/ As trocas de bola pelo meio entre Gelson, RR7, William, B.Fernandes e às vezes até Dost e Acuña foram tantas que o Aves cansou-se ocularmente de acompanhar as jogadas. No 1º golo, tiveram de fechar as pálpebras durante alguns segundos e foi a "morte do artista".

4/ Dost continua com os seus Bas Trick's e com um aproveitamento digno de daqueles putos marrões que odiávamos na escola. Cantou-se 3 vezes "Bas Dost...na nah a na a na nah", mas o homem nem sequer fez uma vénia...marrão e mal educado.

5/ O Sporting contratou 3 jogadores de meio-campo e Bryan Ruiz conseguiu entrar no jogo. Amuleto? Karma? Retroativos?

6/ Este gajo parecido com o Piccini que o JJ anda a colocar em campo há uns meses é bastante interessante. Alguém sabe o nome dele?

7/ Os passatempos do BNI ao intervalo foram "top" criatividade. Aquilo é que é conteúdo para estádio...música, vibração nas bancadas, luzes e emoção. 'Tava a brincar...foi um quizz a um adepto com 42.000 pessoas a assistir.

8/ Até que o Porto esmifre o Brahimi e o Marega no Estoril...somos líderes.

SL

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Clássicos à vista...muitos.

Com a passagem do Porto às meias-finais da Taça de Portugal, o Sporting conhece por fim o seu adversário. Serão duas partidas, a somar à nossa deslocação ao Dragão e o embate na final four da Taça da Liga. Quatro partidas que decidirão, muito provavelmente os vencedores de 2 troféus e uma enorme vantagem para a Liga.

Tal como muita gente vem a dizer há muito, Sérgio Conceição tem uma equipa temível que parece preparada para todo o tipo de desafios. A questão mais problemática prende-se com a sobre-utilização de alguns atletas que até no jogo de ontem já começaram a dar sinais de que não vai ser possível dar tudo em todos os jogos, em todas nuances do calendário. A fadiga e as lesões podem ter um papel importante no tira-teimas e o plantel do Porto está a ser testado (ainda o será mais nos próximos meses) bastante próximo do seu limite.

Tenho como certo que o Porto tudo fará para encontrar soluções no mercado para dar mais opções ao seu treinador, tanto como avalio como muito complicado que essas soluções venham a ser boas no ponto de vista financeiro para aquele clube. É uma verdadeira encruzilhada. Se por um lado os "reforços" com nível suficiente serão na certa jogadores que os portistas não podem adquirir ou sequer pagar a totalidade dos vencimentos, pelo outro vai ser extremamente complicado assegurar troféus jogando sempre o mesmo núcleo de atletas.

Todos sabem, muito melhor os que lá estão dentro, que o clube nortenho precisa de fazer grandes vendas para recuperar algum desafogo financeiro, se os reforços vierem tirar "palco" a esses jogadores, isso será sem dúvida um problema. Uma solução bastante razoável seria a inclusão de alguns atletas da equipa B, que sem custos se promoveriam a outro patamar. Terá Sérgio Conceição essa capacidade ou vontade? Irá o Porto recorrer, mais uma vez, à Doyen e Mendes para continuar a hipotecar o seu futuro financeiro?

Tudo questões para ir acompanhando. Até ao final deste mês saberemos a resposta a muitas destas dúvidas.

SL

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Facts not fiction

Sobre a noite de ontem, ficam para mim alguns factos que destaco de entre todas as ficções disponíveis:

1/ Não ter Mathieu, Piccini, William, Gelson, B.Fernandes e Dost (6 titulares) faz diferença, mas a maior é mesmo a velocidade do nosso jogo ofensivo...continua muito lento e mais acessível para qualquer equipa (até da II Liga) defender;

2/ Sim, há pouco golo em Podence, o que não quer dizer que esteja abaixo da qualidade do Sporting. São aspectos a trabalhar na sua evolução. Tem 22 anos...vai muito a tempo. É um óptimo jogador;

3/ Doumbia não é a melhor das soluções para estar sozinho na frente, quando o adversário joga muito recuado. Isso foi evidente...outra vez;

4/ Bryan Ruiz e Bruno César, por razões diferentes podem ser úteis...mas estão em fases da sua carreira em que, jogando pouco, não adquirem o ritmo que lhes permitam ser "agitadores" de qualquer jogo. São homens de "manobra", não de "flashes";

5/ Tornou-se mais evidente a razão para o Sporting estar a rever tantas posições no plantel neste mercado de Inverno. Com Wendel, Misic e especialmente RR, a noite de ontem teria sido, sem qualquer dúvida, mais tranquila;

6/ Era um jogo para Iuri, mas não foi a jogo. Só pode estar na calha algum negócio.

7/ Ristovsky, mais uma vez a provar que é (até agora) o suplente mais "titular" de todos.

8/ Estamos nas meias-finais da Taça e previsivelmente teremos um Porto à nossa espera. Para os que acham isso menos tentador que o Moreirense, deixo-vos uma pequena reflexão. Quanto mais desgaste for colocado naquele plantel portuense, melhor. Se poupar, teremos mais hipóteses na Taça. Se não poupar, pode pagar esse preço na Liga. Não é garantido que nenhuma destas coisas nos facilite a vida, podemos até perder nas duas frentes, mas factos são factos.

9/ Pouco público no Bonfim. Um acesso a uma meia-final da 2ª prova mais importante do calendário nacional. Um grande a enfrentar um clube que provavelmente nunca chegou tão longe na prova...para fazer alguém reflectir, alguém que provavelmente se passeia pelos corredores da UEFA a receber palmadinhas nos ombros pelo trabalho bem feito em Portugal.

SL

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Mira e calibre

O esforço e amplo trabalho de divulgação, por parte dos media, do "caso" Alan Ruiz é, antes de mais nada, uma tentativa de tapar o sol com uma migalha. 
Apesar dos raios luminosos exporem à luz intensa todo um vasto e sumarento rol de escândalos benfiquistas, os jornais (sobretudo ABola e o Record) tentam encontrar a sombra reconfortante de um caso de indisciplina em Alvalade. 


Pode parecer que se justifica a atenção dada a esta tropelia do jogador argentino, pode até ser obviamente digno de ser notícia. O que está completamente desajustado é o calibre e sobretudo o espaço que está a ser ocupado.
Casos de quebra das regras disciplinares são às centenas todas as épocas e a maior parte delas nem chegam a ser merecedoras de registo (quanto mais esta saga dos últimos dois dias) e todos sabemos que há um calendário e uma metedologia para as resolver. Inquérito, nota de culpa, castigo. Ponto.

Além do mais, convém que tenhamos todos bem presentes que no momento actual da equipa do Sporting, Alan Ruiz é uma segunda linha com vista para o Aeroporto da Portela. Essa é a origem do problema e talvez o fim do mesmo. O que há para transformar este "episódio" numa "novela"? Juro-vos que não sei, mas desconfio que seja uma verdadeira lufada de ar fresco, ler supostas polémicas do outro lado da 2ª circular. O absurdo é que esta problemática tem pavio molhado à partida e não irá sequer deflagrar para muito mais longe que a preponderância que o atleta tem na época em curso.

Seja o pai, o irmão, o facebook, o Ferrari ou o cão, a mais puras das verdades é que para o universo leonino Alan Ruiz está muitos centímetros abaixo de Podence, a muitos rins de Gelson, a imensos tiros de B.Fernandes e quem sabe a muitos menos dólares de outro qualquer que venha querer "sofrer" mais para brilhar com a camisola do Sporting.

Numa escala de preocupação dos adeptos leoninos, a indisciplina de Alan Ruiz está bastante abaixo da cor de cabelo de Podence, abaixo da antipatia moderada para com o speaker Botas ou a praga dos posts de ódio de Dala-Angolanos no facebook do Sporting.

Eu sei (como já escrevi) que dá jeito, mas acho até humorístico que se dê tanta importância à birra de um dos Ruízes...quando há gigabytes de broncas épicas à disposição de um enorme furo jornalístico. Tão humorístico como elogioso. É que usando a imagem criada por Quintela há uns dias...se uma infantilidade de um suplente do Sporting tem mais atenção do que a análise de indícios que podem (podem mesmo!) levar o Benfica à descida de divisão e à prisão de vários dos seus dirigentes...então só se pode dizer que Somos Enormes!

SL

sábado, 16 de dezembro de 2017

A verdadeira questão

Entender que o futuro do futebol português está dependente da coragem do Governo para fazer cumprir as leis é fácil. O problema é mesmo responder à questão: vai mesmo fazê-lo ou irá colaborar com o varrer de mais um processo de ruptura para debaixo do tapete?

O Apito Dourado foi uma vergonha. O MP foi incauto e tudo se fez para deixar escapar o Porto do castigo que obviamente lhe era devido. Quem pagou a factura foi o nosso futebol e não mais sossegaria nenhum adepto as garantias tolas dadas pelas instituições, as mesmas que agora se prova estarem podres e decadentes, incapazes de uma reação ajustada às polémicas e escândalos do momento.

O caso dos emails é o resultado da impunidade dada, pelo Estado, ao Porto. O Benfica e LFV sentiram margem para copiar o rival nortenho e até ir vários pontos mais além. Fizeram-no e como todos os e-mails exibem, com elevado grau de empenho e ciência...numa verdadeira operação mafiosa.

Cabe agora ao Governo dar ou retirar margem ao MP e PJ para irem até às últimas consequências. Sei que tentarão que tudo se reduza o mais possível, que se use da tabela de punições mais branda ou do isolamento de culpados, protegendo o Benfica. Mas um problema se levantará se o proteccionismo for desproporcionado à gravidade das provas:

Abrir-se-á definitivamente as portas da impunidade a que todos os clubes sintam que ou fazem o mesmo que o Benfica faz ou perdem a dianteira do controle sobre a arbitragem, justiça e disciplina. E isso será o fim da nossa Liga. O definhar da nossa Seleção. A decadência dos 3 grandes portugueses. O tal "ambiente" piorará 20 vezes e nada funcionará por respeito à lei, mas sim por voto ou partição do mesmo.

Ao não seguir as leis, o futebol português passará a ser um mau exemplo social e uma estrutura que albergará todos os bandalhos de menos valia humana.

E tudo porque um Governo teve medo de uns míseros milhares de votos dos atrasados mentais que confundem o país com o seu clube ou a sua vida com uma merda de um jogo de futebol.

Se o Sporting fizesse metade do que já vi nos emails, seria dos primeiros a tentar impugnar o mandato da direcção e sei que teria muitos leões a meu lado. A irresponsabilidade dos sócios do Benfica também tem deixado evidente o grau de podridão a que parte da nossa sociedade exibe. Algo que me assusta na verdade.

SL

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Meia recta final

Não é a recta final para o fim da época, mas sim para o fim do ano, para o início de nova janela de mercado e para o derby na Luz. Até lá, falta apenas um jogo para o campeonato - recepção ao Portimonense. Segue-se o clássico e a receção ao Marítimo. São 3 jogos de graus de dificuldade bastante diferentes, mas onde temos toda a legitimidade de amealhar 9 pontos e fechar uma primeira volta muito boa, ao nível das melhores que um grande consegue fazer...numa boa temporada.

O mercado em Janeiro pode trazer algumas correcções e, espero eu, saídas de menos impacto na força da equipa. É verdade que alguns jogadores continuarão a ser alvo de abordagens de clubes com outro tipo de orçamentos. Dost, Gelson, WC e companhia, são atletas com mercado, mas por uma razão ou por outra, serão nesta altura trunfos difíceis de alienar sem que as hipóteses do título fiquem um pouco mais reduzidas.

Os acertos que imagino necessários e alcançáveis serão mais ou menos estes:

- Se Jonathan Silva sair, precisamos de uma alternativa a Fábio Coentrão (além disso o tempo de lesão do Argentino é longo e não sabemos quanto mais levará até ser realmente opção).

- Urge resolver a saída de Douglas e se somarmos a isso uma possível venda de Tobias Figueiredo...é possível a entrada de uma nova solução como central.

- Se Battaglia, Palhinha e William chegam e sobram para fazer a posição 6, a verdade é que a posição 8 depende demasiado do argentino. Nem Bruno Cesár e muito menos Bryan Ruiz se sentem confortáveis no papel de "box-to-box" e Bruno Fernandes é desperdiçado (a meu ver) nessa função. Ter uma alternativa "séria" e competitiva a Battaglia dava um certo jeito. A situação de Petrovic parece-me merecedora de uma saída digna de Alvalade.

- É certo e sabido que Iuri não teve o impacto que se esperava no Sporting. Depois de boas épocas emprestado pensou-se que a maturidade e influência revelada seria suficiente para explodir de leão ao peito. Ainda não aconteceu e a equipa precisa de um desequilibrador que renda (com qualidade) quer Gelson, quer Acuña. A sair, Iuri, abrirá vaga para um ala.

- Com a chegada de Bruno Fernandes, com a constância de exibições de Bruno César, Alan Ruiz e Mattheus Oliveira parecem cada vez mais cartas a navegar à solta no baralho. Para que não percam uma época e desvalorizem, era conveniente encontrar uma solução boa para todas as partes.

- Doumbia é um jogador útil. O problema é que custou demasiado e o seu salário é ajustado a outros adjectivos mais significativos que "útil". Fala-se numa venda com uma boa valorização para os nossos cofres e essa é a única razão para ver um jogador deste nível sair a meio da época. Sinceramente acho que, mesmo não tendo encaixado no esquema tático de JJ, é um valor a ter sempre em conta e se tiver de sair - terá que chegar algo dentro do mesmo calibre, pois Dost não pode ser a única referência na frente de um plantel com tantas soluções para outras posições.

Obviamente que não espero que todos estes cenários aconteçam, mas grande parte irá mesmo ter de ser resolvida. Não esquecer que estamos na ante-câmara de um Mundial, com muitos jogadores a precisar de minutos para entrar nas convocatórias finais. Algumas destas posições podem ser reforçadas com atletas nessa condição.

SL