sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Boas surpresas

Tantas e tantas épocas somamos por surpresas negativas algumas vedetas que são contratadas pelo Sporting, que se torna justo fazer o exercício contrário, quando ele existe para ser feito.
Ristovksy e Piccini são dois jogadores, curiosamente contratados para a mesma posição, que têm vindo a constituir-se em surpresas, pela positiva.

Apesar da demasiada descrição com que entrou na titularidade, o italiano vinha a ganhar espaço e sobretudo confiança no seu jogo. O pessimismo inicial dos adeptos, que enfermaram das dores dos "analistas", foi sendo ultrapassado e o mérito das boas exibições de Piccini foi devidamente reconhecido. Parece-me claramente um excelente defensor que assim que ultrapasse alguma contenção ofensiva, assegurará o lugar com elevada distinção.

O caso do macedónio Ristovsky é bem diferente. Ao contrário de Piccini, não veio de um clube que havia feito uma má época (Bétis), mas sim do Rjeka, campeão croata. Era e é o titular da sua selecção e desde o primeiro minuto de atuação que mostrou ao que vinha. É aguerrido, lutador, atleticamemte possante e faz questão de mostrar que não guarda reservas em qualquer dos momentos das partidas. De certa forma, não é um protótipo de jogador que estejamos habituados, mas encaixa perfeitamente no estilo de jogadores que costumamos gabar quando vemos jogos da Bundesliga ou Premier League, desejando ter qualquer coisa parecida.

Embora sendo jogadores completamente diferentes, que dão coisas completamente diferentes à equipa, são na minha opinião dois jogadores com qualidade, com margem de crescimento e com atitude muito profissional. E são também boas surpresas, pois não é fácil que pelo investimento que representaram, que se constituíssem em duas boas aquisições, claramente para manter e apostar agora e no futuro. Dois bons investimentos.

SL

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A podridão

Os últimos factos trazidos a público sobre as manobras de bastidores do Benfica adensam o argumento da Operação Emails ao nível não de comportamentos pontuais, mas sim de modus operandi válidos desde há muitas épocas atrás até ao dia de hoje.

Não querer observar esta ilação, além do apadrinhamento tácito por parte de altos quadros na FPF, Liga e Governo é não querer entender que este Benfica é um verdadeiro crime em modo repeat. E não querendo ler este quadro é pactuar com a imensa podridão instalada. Não posso deixar de ver toda esta passividade como um prenúncio de ruína do futebol português. Porquê?

Simplesmente porque ao não punir os infratores, estamos a validar a sua ação e mais...estamos a validar os seus expedientes. Se nada for efectivamente punido com exemplar severidade, tudo será repetido e tudo se instalará como procedimentos normais. O crime será admitido como processo, será considerado opção. Morrem as leis e nascem as seitas, acaba a justiça e a igualdade e começa o reinado dos criminosos. O Brasil ainda hoje tenta sair desse estado de sítio e convém olhar para a força dos grandes emblemas brasileiros nos anos 60, 70 e 80...e o que são agora.

A longo prazo até os clubes que dominam o sistema acabam a definhar com o descrédito das competições, mas isso nada inibe personagens como Vieira, o que lhe preocupará o futuro, podendo tirar todas as vantagens que o "manto protector" lhe dá agora? E esse é o verdadeiro problema do futebol português: os infiltrados que o usam para tirar proveitos secundários, criando danos que demorarão décadas a reparar. Alguém nos dias de hoje porá as mãos no fogo por algum resultado, algum árbitro, algum dirigente ou instituição no nosso futebol? E de quem é a culpa? Dos adeptos? Do desporto em abstracto? Da relva ou das camisolas?

SL

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Tempo de criticar? Sempre.

Com os maus resultados regressa a velha polémica no universo leonino: ao criticar JJ, os jogadores ou a Direcção, estaremos a manifestar desunião e quebra de apoio à equipa de futebol ou ao clube num todo?

A minha resposta é: depende. E depende só do tipo de crítica. Dou exemplos.

Crítica destrutiva: "cambada de anormais, para mim chega! Não ponho mais os pés em Alvalade!"
Crítica construtiva: "acho que o plantel devia ter mais rotação, aí JJ pode fazer bem melhor."

Crítica destrutiva: "o Gelson não está a jogar nada, é só mais um deslumbrado!"
Crítica construtiva: "Gelson está a atravessar um período menos bom, oxalá regresse ao seu normal"

Crítica destrutiva: "enquanto JJ estiver no Sporting, vamos ganhar...bola!"
Crítica construtiva: "JJ tem de rever a velocidade de jogo da equipa, não podemos atacar a 5kms/h"

Atenção que não nego direito a ninguém de se expressar como quer e lhe apetece. Mas também está no direito de todos os outros responder à mesma, observando a sua qualidade e sobretudo objectivo. O direito à crítica funciona para todos os lados, até para o lado de quem...crítica. E não pensem que é bom não existir crítica. É péssimo. Sobretudo nos momentos menos bons, o facto de existir este meio de descarregar frustração é fundamental, até quem produz as observações mais descabidas e histéricas está sobretudo a "limpar o cesto", a arrumar espaço para existir uma renovação de crença, que seria de todo impossível se não existisse a purga de sentimentos negativos.

Tempo de criticar? É todos os dias. Ajuda todos se a ideia for colocar o foco na opinião como melhorar. Ajuda o próprio se apenas tiver como intenção descarregar frustrações. Tudo faz parte de um enorme puzzle emocional e que é do Sporting sabe que não vale a pena fingir que não existe.

SL




quinta-feira, 26 de outubro de 2017

3 pontos de máxima importância

Amanhã joga-se uma partida fundamental para a carreira do Sporting nesta Liga. A distância de 2 pontos para o 1º lugar e de 3 para o 3º recomendam vivamente que não se cedam pontos aos rivais. É de uma importância fundamental não perder a colagem à liderança e bastante conveniente não dar "moral" a um Benfica a tentar desesperadamente encontrar tábuas para se conseguir elevar do pântano exibicional em que se encontra.

Convém também salientar que o Rio Ave, apesar de não parecer estar na sua melhor forma, é uma equipa com futebol mais do que suficiente para nos fazer passar por apertos. Amanhã não iremos ver um opositor atrevido a tentar jogar olhos nos olhos, como por exemplo fez na temporada passada, mas isso não significa que deva ser menos difícil de ultrapassar. Ainda me está na memória o verdadeiro atropelamento que sofremos na temporada passada, um 3-1 complicado de explicar, sobretudo complicado de entender como foram tão superiores a nós (especialmente na 1ª parte).

Avisados de que repetir o "apagão" do último jogo disputado não é uma hipótese, resta à equipa do Sporting encarar com máxima responsabilidade a conquista de mais 3 pontos. O conjunto leonino parece estar de boas relações com o golo e sublinhar essa capacidade desde o 1º minuto de jogo é o ideal para não deixar o Rio Ave assentar o seu jogo. O Benfica bem que nos mostrou o que pode acontecer a quem desconsidera estes vilacondenses e, tendo em linha de conta o que fizemos na última deslocação a norte (Moreirense), há muito onde encontrar motivos para exibir o melhor Sporting, na melhor das atitudes, no máximo de concentração que formos capazes.

Um Sporting focado e exigente ultrapassará o Rio Ave com naturalidade. Menos do que isso e estaremos a facilitar as azias da dupla Jorge Sousa - Capela, a recuperação do ânimo do Rio Ave ou o estatuto de Miguel Cardoso no mercado dos treinadores.

Saudações Leoninas

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Muitas notas artísticas

- Dost voltou. Hat trick à "moda antiga", três golos de matador e uma assistência. Já tínhamos saudades destes jogos e o holandês...também. Bem na flash a destacar colegas e a afirmar que podem contar com ele.

- Gelson também pareceu acordar da letargia dos últimos jogos, não marcou mas tantas vezes infernizou os defesas do Chaves que lá encontrou espaços para servir colegas que viriam a decidir a partida. Um pouco mais de foco a "seguir" o lateral adversário e estaria perfeito taticamente.

- Acuña é gajo para dar muitas alegrias aos adeptos, mais do que os golos ficou-me na retina um par de recepções e bypass's aos defesas contrários...jogador importante.

- Bruno Fernandes teve novas missões e o melhor elogio que se pode dar é que a equipa esteve sempre ligada e ligada por ele, primeiro a "pensar", primeiro a distribuir, primeiro a recuar quando perdíamos a posse de bola.

- William, só não foi o "monstro" que nos tem habituado porque...não era preciso. Ainda assim dois ou três "abafanços" que tiraram ideias aos flavienses de atacar pelo meio.

- Piccini. Quem diria? Sobe de nível de jogo para jogo. Confiança, essa pedra de toque miraculosa. Nunca será um "predestinado", mas a jogar como tem jogado, ninguém vai ligar muito a isso.

- Coentrão, o problema não está mesmo dentro de campo. Lá, onde se joga, é um poço de boas decisões e muitos equilíbrios. Se pudesse fazer 10 jogos seguidos...

- Last, but not least...Podence. O Chaves nunca soube bem o que fazer com ele e o puto aproveitou para entre os pingos de Gelson levar as "cartas" bem legíveis a Dost. Não foi um jogo brilhante, mas foi mais do que o suficiente para fazer pensar JJ.

Saudações Leoninas

PS - A decisão do árbitro quanto ao penalti por marcar e amarelo, por simulação, a Gelson é das coisas mais incompreensíveis que vi esta época. O problema não é o VAR, é mesmo a competência do(s) árbitro(s). Inacreditável como mesmo depois de ver as imagens, mantém a decisão e o amarelo. Se alguém precisar de provas para defender que a nossa arbitragem tem um nível fraco...é só ver esse lance. Continuamos a "sofrer" de uma "antipatia" monumental por parte dos árbitros e ontem foi só mais uma "provocação". Como o adversário não dava para mais, o senhor árbitro quis fazer as vezes...criando ele próprio as dificuldades. Amarelos por mostrar a médios dos Chaves...uns 4 ou 5.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Futebol sem lei. País sem Justiça

A justiça é um dos pilares fundamentais de uma democracia. Sem uma justiça eficaz uns prevalecem sobre outros, isto é, as vítimas serão cada vez mais espoliadas dos direitos que as deviam tornar iguais aos agressores. Não há igualdade sem justiça e sem ela emergem os mais corruptos, os mais ricos, os que se relacionam mais e melhor com as esferas de poder, sejam elas políticas ou financeiras.

No desporto e particularmente no futebol, abundam as "teorias de poder", as percepções de esquemas e sistemas que à margem dos regulamentos e leis do país manobram arbitrariedades para aplicar vantagens dispares no campo ou na secretaria. Este é um retrato que tem décadas e que cada vez mais observamos que quanto muito peca por defeito. Quantos mais e-mails são revelados, quantos mais vouchers são descobertos, quanto mais se levantam as ligações de responsáveis pelos cargos de tutela nas instituições reguladoras do nosso futebol, mais descobrimos que as teorias não só eram fumo com fogo, como são apenas a ponta do iceberg que persiste em afundar progressivamente os valores da ética desportiva.

Como será óbvio para qualquer um, este estado só foi possível com a alta contribuição de muitas pessoas e de muitas instituições que são pagas para que nada disto seja possível acontecer. IPDJ, Governo, PJ, FPF e Liga (através dos seus conselhos e juízes). O que fizeram? O que têm feito? O que estão a fazer agora? A imagem não podia ser mais trágica e a resposta terá sempre de ser uma: muito pouco. Para a gravidade dos casos revelados nem sequer uma instrução criminal e desportiva tida como séria, célere e discreta conseguimos gerar. Isto terá consequências mais graves no futuro, pois se nem com as provas de crimes a circular pela frente dos olhos da opinião pública se encontra motivação e capacidade para aplicar...justiça.

Não sei como irá terminar quer o caso dos vouchers, quer o caso dos e-mails. Mas sei uma coisa, caso não seja aplicada punição exemplar aos mentores destes esquemas de coacção e tráfico de influências, estaremos na antecâmara de uma verdadeira convulsão e hecatombe no futebol português. Nada será pacificado, bem pelo contrário, agravar-se-á drasticamente todo o clima de desconfiança e não restará nada que mantenha relação de equilíbrio ou reserva moral. Em todos os sentidos, a incapacidade de produzir justiça hoje, apadrinhará as revoltas de amanhã e justificará a propaganda feita em qualquer dos sentidos. Todos se dirão injustiçados apontando o dedo ao rival e será praticamente impossível entender quem é o réu e quem é a vítima.

A impunidade cada vez mais absoluta, levará os que nunca optaram por escolher vias paralelas e marginais a fazê-lo e ninguém poderá apontar-lhes o dedo, pois entraremos numa espécie de "terra sem lei", um enorme campo de batalha de agressões, viciações, ameaças, motins, elevar-se-á quem se revelar mais hipócrita, destacar-se-á quem coage melhor, quem suborna de forma mais eficiente, os guias de estilo serão geminados nos melhores compêndios de operacionalidade mafiosa. Isto é o que acontecerá, pois é o que acontece sempre que a Justiça é fraca e "esquece-se" da sua regra fundamental, é cega. É cega e não vê cores clubísticas, sendo-lhe indiferente a origem do crime, tratando Benfica igual a Gondomar, Sporting igual a Cucujães, Porto igual a Canelas2010.

Se o Estado temer as consequências de punir, só como exemplo, o Benfica pelo verdadeiro Polvo de tráfico de influências que criou e operou (o tempo passado será abusivo), gerará algo muito pior que a sua própria cobardia e herdará mais tarde um monstro social muito mais difícil de conter, pois este ameaçará não só o desporto como os próprios alicerces da Justiça, ou seja, da Democracia.

Para que não chegamos a este futuro, resta apenas uma opção. Apenas uma. Aplicar a lei, como se costuma dizer, doa a quem doer. Recolher as provas, levantando tudo o que tiver de ser levantado e colocando todos os culpados ou cúmplices, primeiro nos tribunais e mais tarde nas cadeias. Este não é um cenário aconselhável, é o cenário obrigatório.

Saudações Leoninas

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Mais longe

Só confundindo acasos com tendências, é que podemos achar que estamos a conseguir acompanhar a pedalada de evolução desportiva dos clubes de topo da Europa. Na verdade, todos os anos perdemos capacidade para fazer mossa ou chegar mais adiante na Liga dos Campeões.

É verdade que uma ou outra equipa, num ano de feliz congregação de bons jogadores, vedetas emergentes e orientação técnica ultra-eficaz tem conseguido romper o status quo. Mas, pondo a coisa em perspectiva, é clarividente que os grandes clubes portugueses estão cada vez mais distantes dos poderosos de Espanha, Itália ou Inglaterra.

Uma questão de dinheiro, mas não só. Há também uma décalage competitiva que nos afasta de obter resultados mais positivos nas competições europeias.
As nossas equipas não são tão rápidas, não têm tanta constância na performance atlética, perdem a concentração mais facilmente e sobretudo sentem enormes dificuldades em fazer centenas de transições defesa-ataque-defesa em cada jogo.

Na Liga dos Campões, os 3 grandes têm de defender mais e melhor para não sofrerem golos e atacar mais e melhor para os marcar. Isso nota-se cada vez mais e a culpa é a distância competitiva entre o nível Champions e o nível da nossa Liga (bem maior no nosso caso do que comparando com as ligas espanhola, italiana ou inglesa).

O dinheiro permite chegar a atletas com mais qualidade, mas mesmo imaginando que teríamos acesso ao mesmo lote de valor que os clubes mais endinheirados, se lhes dermos um padrão de exigência mais baixo ao qual se vão habituar...os resultados estarão sempre mais perto do insucesso, tal como é cada vez mais difícil para os clubes italianos em comparação com os espanhóis ou a forma como podemos explicar que os clubes britânicos têm muito mais dinheiro e menos resultados que "nuestros hermanos".

Possíveis soluções para contrariar esta tendência, entre outras:
- Diminuição do nº de clubes na I Liga;
- Diminuição da carga fiscal dos jogadores de futebol;
- Mudança na forma de apitar dos árbitros lusos, pondo fim aos eternos tempos mortos e faltas por tudo e por nada;
- Limite de jogadores profissionais inscritos por clube (30 jogadores ou 60 para clubes com equipas B);
- Limitação de contratação de jogadores fora da UE (salvo jogadores com número mínimo de internacionalizações nas camadas jovens);

De outra forma, continuaremos a pertencer, cada vez mais, à periferia do dinheiro e dos troféus em disputa na UEFA. Isso devia preocupar a FPF e a Liga, mas infelizmente, parece não haver "vontade" para mais do que contar os milhões da Selecção (que também tenderão a minguar também, a partir do momento em que os 3 grandes forem incapazes de manter altos níveis na formação de jogadores ou pelo menos tão bons como os das academias de outros países).

Saudações Leoninas