quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A súbita paixão pela matemática

Adoro ver os sempre despreocupados benfas a fazer tabelas de excel com os negócios dos direitos de tv. Esse é o primeiro sinal de que a coisa doeu. E doeu porque a rivalidade sente-se hoje em Carnide de forma muito mais intensa. Esse é o segundo sinal de que a coisa anda a doer mais. Não há blog leonino ou página de facebook afecta ao Sporting que não tenha dezenas de "preocupados" comentadores vermelhos a "trashar" cada post. Esse é o terceiro sinal de que o Sporting anda a abrir feridas antigas.

Pois que façam as contas todas, as que verdadeiramente me interessam estão nos resultados dos Orçamentos, onde posso ver (mais ou menos) a diferença entre o que foi ganho e gasto. No Sporting não sofro de épicas vendas e negócios que depois não chegam para cobrir despesas escondidas e perdidas nas 678.987 parcelas imaginadas para refundir os triângulos negociais com Mendes e outros "investidores". Os juros que temos ainda não são maiores que os nossos ganhos e o meu presidente não tem de andar a fazer juras de que este ou aquele dinheiro serve para abater passivos (tranquilizando credores).

O que mais interessa não é que o Sporting tenha o maior contrato, mas que seja o melhor a gastar as suas verbas. As folhas de cálculo que me interessam não são as comparativas, mas as comprovativas de que o meu clube é o melhor a geri-las.

SL

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Venha a Nós o Negócio do Século

Por agora ainda são só "capas" de jornal e aguarda-se a confirmação. Mas parece que está mesmo por horas a revelação que também o Sporting vai fazer um "negócio do século". Por muito que custe a muita gente (dos rivais) e a alguns ressabiados internamente, o Sporting vai retirar benefícios da tal atitude "bélica" que permite entre muitas outras coisas…colocar o nosso clube sempre na vanguarda de todas as questões do futebol português e…não menos importante…acordar uma massa adepta algo adormecida e conformada com um papel secundário na disputa das glórias que se retiram das conquistas desportivas.

Repito uma ideia que costumo sublinhar aqui no blog: o dinheiro só é muito, quando se faz bem uso dele. Quando o bolo se parte e reparte até à exaustão…são apenas dados contabilísticos num Orçamento. Os super-negócios do futebol português são para mim, muitas vezes, apenas manobras de publicidade…os principais beneficiários muitas vezes são desconhecidos e os clubes são demasiadas vezes as "vacas" de onde muitos retiram o "leite"…facto…os passivos mantém-se em crescimento…e isso prova que estes e outros negócios do século são apenas artifícios numerários que mascaram o profundo endividamento das SADs em Portugal, com uma lista de "credores" tão gorda como anónima.

Espero que o Sporting faça uso desta futura verba, de forma diferente dos seus rivais. Amortizando, de facto, as suas imensas dívidas e sim, também canalizando alguma percentagem para a equipa principal, mas o mais importante seria pegar no excedente que acresce ao já recibo actualmente e saldar a maior fatia possível dos créditos que mantém com uma banca cada vez mais em colapso. Os que defendem que as dívidas são para gerir e não para pagar caem permanentemente no engano de que nada vai mudar no nosso país, mas apesar dos sinais muitas vezes apontarem nesse sentido, eu e muita gente acredita que o actual status quo financeiro de Portugal é insustentável e que andamos muito perto da tal gota de água que fará transbordar um copo repleto de injustiças, crimes e falta de ética. 

Quando tal acontecer, espero que o Sporting esteja ao lado de quem exige que tudo e todos em Portugal sejam exemplo e ajam em tudo na vida, respeitando a lei e todos os pactos sociais. O Sporting Clube de Portugal é uma instituição superior aos interesses correntes e pessoais e deve, sempre, mas sempre gerir-se de forma exemplar, exigindo justiça através do seu próprio exemplo. Estas centenas de milhões pré-anunciadas só serão importantes se forem colocadas ao serviço do futuro do clube. Se servirem de combustível para as batalhas do "hoje" serão perdidas entre enganos e desenganos, entre braços de ferro com quem já provou que apenas se preocupa em ser "mais" ou "mais forte" que o "outro".

O Sporting já é "grande" o suficiente para investir as suas energias a tentar medir-se em relação aos seus rivais. Pode e deve é investir na sua viabilização como instituição de mérito cultural, como instituição de valor social, como instituição de excelência desportiva…tudo o resto são discussões efémeras, pilinhas grandes e pequenas, carros e autocarros, barracas ou condomínios de luxo. O que ficará para a eternidade é o orgulho e a esperança dos adeptos no espectáculo desportivo e no bom nome do seu clube.


SL

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Uma semana de pouco Natal

Quando saí de Lisboa para umas merecidas férias de Natal, o Sporting liderava a Liga com 2 pontos de avanço, estava na Taça de Portugal, falava-se numa possibilidade real de Carrillo renovar contrato e a resolução do caso Doyen ainda não era conhecida (a demora na decisão estava a levar a crer que poderia sair uma óptima notícia da Suiça).

Numa semana apenas, várias e sucessivas más notícias. O Braga ganhou-nos (com ajudinha extra) no melhor "jogo do ano" e ficámos fora da Taça. O União venceu-nos num daqueles jogos que ninguém consegue explicar a justiça no marcador e passámos para 2º lugar. Carrillo assumiu, ou melhor os jornais relatam que o seu empresário já tomou essa decisão, que o Sporting não faz parte do seu futuro. E para concluir uma semana em beleza, a Doyen sai vencedora num TAS que aparentemente demorou 4 meses para ler o contrato e ajuizar que estava bem redigido, cagando no problema real, ou seja, cagando nos clubes.

A moral dos adeptos sofreu um golpe duro, houve quem saísse da casota para dizer meia dúzia de banalidades desportivas sobre a personalidade de BdC (nunca apontam qual o caminho de gestão diferente a seguir....) e os media sangraram tragédias e ultimatos, dava a sensação que numa semana todos os astros de alinharam para amputar a #OndaVerde e a alegria do clube. Mas sabem que mais? Se numa semana tudo correu mal, noutra tudo pode correr melhor. Podemos vencer o clássico em Alvalade, temos de o fazer.

Ganhar a este Porto de Lopetegui não é uma tarefa épica. Está perfeitamente ao nosso alcance. Não é o mesmo que vencer um clube de meio da tabela, mas há talento de jogo suficiente na nossa equipa para ultrapassar um adversário que já mostrou esta época inúmeras fragilidades. A decisão do jogo estará no meio-campo. Entre William, Adrien e João Mário Vs. Danilo, André André e Herrera estará a chave do jogo. Se os 3 pontos ficarem em Alvalade, viramos as "crises" para o Norte e para cima dos ombros de um treinador que sabe que depois da eliminação da Champions, uma derrota neste clássico coloca-o prontinho e embalado para ser despedido.

Numa semana tudo pode mudar. Mudemos para o bem.

SL

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Os papéis

A queda de Mourinho não me merece especial atenção. Apesar de ser um dos melhores treinadores do mundo e ser português, confesso não ser particularmente adepto da sua postura hiper egocêntrica.

Aliás a mestria para compreender o jogo acaba quase sempre por ser traída pela incapacidade de entender o lugar secundário que ocupa. Os treinadores são a pedra estrutural de uma equipa, mas não são a vedeta da equipa. É quando estes papéis se atravessam que os egos falam mais alto, gerando conflitos e em último caso intolerância e estagnação.

O problema de Mourinho serão sempre os jogadores. Quanto mais alto for o seu perfil, mais hipóteses terá de encontrar um conflito com este treinador. Desde logo, o completo afunilamento da comunicação em torno do treinador, esvazia os focos que normalmente estão apontados às estrelas das equipas. Quando a equipa ganha…maravilha, os jogadores aceitam porque existem resultados. Quando a equipa perde, geram-se todos os ingredientes para sucessivas "revoltas de balneário".

Quando o clube perde, Mourinho separa-se da equipa. Desmarca-se do que ela é capaz de fazer…dando todos os sinais formais de solidariedade e partilha de culpa, mas a linguagem corporal e a escolha de humor denuncia outra postura. É fácil de desconstruir que lá dentro no balneário essa atitude será ampliada 100x.

Remeto-me a uma frase dita supostamente por um jogador do Chelsea off the record a um jornalista britânico há cerca de um mês:

"Melhor que ganhar com Mourinho, adoro perder com Mourinho."

Olhando para o que esta frase denuncia, temos o retrato de uma personalidade que querendo ser maior do que a equipa, maior que o clube, maior que o jogo, falha em aceitar as regras básicas da função que ocupa - quem joga o jogo são os atletas, a missão do treinador é que o façam o melhor possível. 

Quando Mourinho compreender, de facto, o que é um treinador de futebol…então sim será o melhor do mundo e…talvez até imparável.


SL

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Os Campeões também perdem

Perdemos. Fomos eliminados. É menos um objectivo na época. Infelizes? Abatidos? Descrentes? Naaaah.

O Sporting ontem em Braga perdeu, mas (e isto não é tanga para fazer boi dormir) tanto como o adversário ou até mais, podia ter ganho. A equipa podia ter sido mais cínica no jogo, podia ter-se remetido ao contra-ataque nas duas vezes que se encontrou em vantagem…mas não o fez e isso não é uma falha estratégica…é apenas a forma como a equipa sabe jogar, e fá-lo bem.

Se porventura JJ tivesse mandado recuar as linhas quando estávamos em vantagem e o Braga tivesse conseguido marcar, não faltariam hoje críticas ainda mais severas ao comportamento da equipa. Depois de perder, há sempre 1001 coisas que podiam ter sido diferentes. Mais do que a disposição da equipa, o cansaço acumulado jogou no que as duas equipas conseguiram fazer. O Braga, diga-se em boa verdade, rebentou mais tarde…ou pelo menos a maioria dos seus jogadores conseguiu adiar a exibição do desgaste.

Hoje, não vejo nenhum motivo para derrotismos. O Sporting foi a Braga e não se amedrontou, jogou como sabe e esteve a milímetros da passagem. O Braga disputou bem a partida e não foi tão ineficaz como contra a "leitosa" equipa de Carnide…(ainda hoje não sabem como é que venceram aquilo) e não fora dois erros óbvios do árbitro (com interferência no resultado) e teria convencido o país de que é de facto um adversário a ter em conta. Se a falta sobre William fosse assinalada ou o golo a Slimani validado, o Braga simplesmente não tinha passado a eliminatória. Ponto.

Mas mais do que "chorar" os erros de terceiros, o Sporting deve olhar para a frente e especialmente os adeptos devem ter bem presente que não há equipas imbatíveis. Todos perdem e o Sporting não é, ainda, o PSG em França ou o Bayern na Alemanha…não somos hegemónicos, existem rivais com valor para nos ganharem jogos. A época do Sporting valerá as vezes que consigamos derrotá-los. E mais do que pensar já no clássico de dia 2 de Janeiro, existe no Domingo um jogo muito difícil para disputar. O União da Madeira merece atenção redobrada e o melhor que sabemos fazer. Outros, há bem pouco tempo pagaram a factura de um excesso de confiança absurdo de imaginar que os resultados são copiáveis. 

O Sporting deve empenhar na Madeira, o mesmo esforço e brio com que se deslocou ao Minho. Se o fizer, trará mais 3 pontos e alguma tranquilidade para passar um Natal com a convicção de dever cumprido.


SL

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

3 boas

1- O Sporting disputa hoje em Braga a continuidade na Taça de Portugal. A boa notícia é que confio num bom resultado, pois tenho a certeza que temos melhor equipa que o adversário. Nem sempre ganham os melhores, mas as probabilidades jogam a nosso favor. Num passado próximo, bastantes dúvidas nos levantavam os jogos difíceis…hoje…sentimos que a equipa se agiganta nas horas de maior dificuldade. 

2- O Sporting garantiu a contratação do avançado angolano de 20 anos, Gelson. Ser o melhor jogador e avançado em terras angolanas pode não ser suficiente para ser uma estrela na nossa Liga, mas muitos relatos de observadores e treinadores lusos que trabalham por África garantem que este miúdo tem mais qualquer coisa. 

3- O União da Madeira, depois de encher 4 em casa do Porto e 6 fora do Paços de Ferreira…sofreu zero do Carnide. Zero foi também a inspiração da tal equipa em "claro crescendo". 7 pontos distam agora do líder, ou seja, nós. Depois de 13 jogos…já qualquer coisa. Aguarda-se a todo o momento a resposta de LFV, ou seja uma aposta ainda maior "na formação".


SL

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Os Manéis também ganham campeonatos

O tempo foi o pior inimigo de um jogo que tinha tudo para ter mais uma excelente casa, rumo a mais uma vitória caseira e, pensámos todos nós, manter a liderança durante mais uma semana. Os dois rivais venceram (ou estavam em vias disso) e se faltassem pernas para 72 horas depois jogar mais 90 minutos, sobrava necessidade.
Jesus mexeu no 11, não tinha alternativa. Numa semana de 3 jogos, o plantel teria de provar que oferece mais do que 11 soluções viáveis, mas este Sporting tem Manéis q.b. para enfrentar adversários do nível do Moreirense, pelo menos isso tem.

O jogo começou morno com o adversário à espera do ver o que nós daríamos à partida…e nós a tentar gerir a velocidade do encontro para que a calma fosse a nota dominante. Ao primeiro sinal de impaciência vindo do banco, os jogadores mudaram de velocidade (talvez lembrando o sofrimento tardio frente ao Belenenses) e começaram a surgir os primeiros lances de perigo. O golo acabaria por chegar de onde menos se espera desta equipa, mas onde as formações de JJ  costumam ter argumentos válidos - um lance estudado que mudou um remate de livre para uma desmarcarão rápida de Gelson. Para surpresa de todos, até minha confesso, o "miúdo" avançou com a bola e disparou cruzado para o golo. Há quem consiga ver um bloqueio de Esgaio na jogada, eu sinceramente vejo uma tentativa do jogador leonino de reduzir a expansão da barreira e um jogador do Moreirense a tropeçar num colega de equipa. Enfim, coisas para Pedro Guerra e RGS perderem 20 minutos a tentar rescrever como realidades conspiratórias. Caguei.

Depois de aberto o marcador, muitos pensaram que o mais difícil estaria feito…e tiveram razão. Quase de seguida Adrien e Aquilani combinaram para um belo golo. 2-0 e o Moreirense estava nas cordas. Veio o intervalo com uma atmosfera de calma em Alvalade que caiu que nem aquecedores a quem enfrentava uma noite fria e muito molhada. O regresso do balneário trouxe mais do mesmo e depois de Slimani ter corrigido o pénalti a equipa colocou a placa de "volto já" e foi para Braga. O Moreirense não entendeu de imediato, mas de tantas vezes que se viu com a bola nos pés com tempo de ensaiar ataques…lá lhe caiu a ficha e não mais largou o osso. JJ que não precisa da queda de fichas para ler o jogo, refrescava o meio-campo, mas o problema dos jogadores não era frescura…era mesmo vontade de fazer mais do que trancar o 3-0 no marcador. 

O Moreirense reduziu de pénalti (confesso que ainda não vi o lance na tv) e haveria de tentar algo mais, mas sem sucesso. Primeiro porque o Sporting tem um grande guarda-redes e segundo, porque avisados, os defesas tentaram evitar males maiores. Ficou a sensação que foi o Sporting que colocou o adversário no jogo. Acaba a partida, sensação de dever cumprido da equipa e dos adeptos. Mais uma importante vitória. Mais uma a somar-se a uma rotina de campeão que se vai instalando. O clássico de dia 2 decidirá o espaço que esta equipa terá para continuar a afirmar-se como favorita. Nesta semana e até à Madeira continuamos na posição mais desejada.


SL