terça-feira, 3 de março de 2015

2 pontos no J

1/ O "caso" Jefferson não será o primeiro nem o último no futebol mundial. Cada vez mais será "normal" estas atitudes por parte dos jogadores, pois se há coisa em que o futebol mudou mesmo é a sobrevalorização dos jogadores. Os empresários também (não) ajudam. Longe vão os tempos do "amor à camisola". O dinheiro, sempre o dinheiro. Lamentavelmente. apesar de serem pagos estratosfericamente o profissionalismo é cada vez mais deficiente. Aos clubes não restam soluções como as que se aplicam a um puto de 6 anos. Castigos. Treinos à parte, não há recreio para quem não compreende as regras ou se projecta acima delas (tenha ou não argumentos para uma qualquer contestação). 

Jefferson pode ter toda a razão do mundo em lamentar que não lhe tenha sido comunicada uma oferta. Mas apenas isso. O clube vende se quiser, o clube comunica-lhe isso se a tal estiver contratualmente obrigado. E ponto final na conversa. Pode até toda esta polémica estar na base de uma "promessa" ou um "acordo" verbal acordado entre ambas as partes, mas ao jogador não deve ser lógico que BdC seja incumpridor ou mentiroso e deve lembrar-se sempre quem lhe assina os cheques mensalmente e tem uma função dentro do clube muito maior que "apenas" presidente. Esta birra do brasileiro (que parece destinada a terminar em mais um clássico pedido de desculpas) desvalorizou o atleta e fê-lo perder 2 jogos fundamentais na época. Algo que manchará a sua afirmação tanto interna, como internacional. 

À direcção o meu voto de confiança. Até agora tem sabido "tratar" destes comportamentos da única forma que acho ser positiva para a equipa e para a imagem do clube…com firmeza.

2/ Começo a não achar piada nenhuma quanto à forma como estes casos internos acabam, ponto por ponto, nos jornais. Não é a primeira vez esta época que factos ocorridos dentro do balneário saem para fora do mesmo. É grave. Sabendo-se da relação do clube com a maioria dos media…é quase uma traição ao emblema. Não desejando caça às bruxas ao nível do profissionalismo de atletas ou jogadores, gostaria muito que se tentasse identificar a origem destas "transpirações"…pois se o balneário é sagrado para umas coisas, também devia ser sagrado para estas. A imagem do clube e, mais importante ainda neste caso, da equipa está em causa.


SL 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Levantar os braços

Esta é uma segunda-feira difícil. Não há para os Sportinguistas muitos motivos para sorrir. Na Liga, apesar de ainda faltarem muitos jogos, a percepção depois do clássico de ontem é a de que o Sporting vai mesmo lutar pelo 3º lugar. Ninguém o quer aceitar, eu muito menos, mas realisticamente o que importa mesmo daqui para a frente é ganhar jogos, esquecendo os rivais e dando importância ao que interessa - assegurar a pré-eliminatória da Champions. O Braga não parece equipa para nos roubar essa posição, mas convém não esquecer a lição de outras épocas.

A má exibição colectiva, apesar do bom jogo de alguns jogadores, que ficou de ontem mostra claramente que a equipa ficou afectada pela eliminação na UEFA e pela distância que já leva dos seus rivais. Aliás, pode-se dizer mesmo que este Sporting de Fevereiro é algo distante do que já foi nesta época. Mas. como venho escrevendo neste blog, a hora não é de carpir mágoas nem de cair em depressões desportivas. Está já aí a 1ª mão da meia-final da Taça de Portugal e é essencial que a deslocação à Madeira traga qualquer coisa de positivo. 

É também muito importante que a Direcção, os adeptos e seja mais quem for não faça desta hora uma caça às bruxas. Não é tempo para isso, lá chegaremos, mas começar já a mandar "tiros" nos próprios pés pode ser tudo aquilo que o clube não precisa. Se na Quinta-Feira a equipa esteve bem orientada, foi briosa e competiu com o Wolfsburgo da forma como o fez…não é depois de ir ao dragão (que é uma deslocação muito difícil) que tudo passa a ser intrinsecamente mau. Detesto sobretudo que se caia na opção fácil (mas não barata) de culpar o treinador.

Os objectivos da época estão de facto comprometidos e a equipa não parece na sua melhor fase. Mas há jogos para jogar e metas mínimas para alcançar. Exige-se agora a Taça, mas como é óbvio primeiro temos de chegar ao Jamor…e o Nacional já não é o "bobo da corte" do início da época. 
Aos adeptos, apesar da tristeza, só resta arregaçar as mangas e não entrar em más ondas, a contestação só por si não resolve nada….e sinceramente já estou farto de "chorar" por insucessos. A época não está a ser boa? Prepare-se já a próxima…um pouco melhor, se possível. Baixar os braços é que não constrói nada no futuro.


SL 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

As boas equipas também perdem

O futebol é um espectáculo apaixonante, mas além desse factor emocional é também um desporto e como tal existem dados que a vontade ou a garra não conseguem ultrapassar na maioria dos casos. Nem na Alemanha, nem em Alvalade o Sporting se mostrou inferior ao Wolfsburgo como equipa. Mas pequenos detalhe (que custam muitos milhões a comprar) decidem muitas destas partidas em que o valor parece equivaler-se.

O Wolfsburg é uma boa equipa, não será um Bayern ou um Real Madrid, ou mesmo um Chelsea...mas virá logo a seguir no degrau posterior. Em muitos dos 180 minutos o Sporting soube competir nesse patamar, mas nuns poucos (golos falhados e falhas de marcação a Bas Dost - por sinal o avançado em melhor forma do futebol europeu por estes dias) a equipa mostrou pertencer ainda a outro tipo de valor. Não se enganem os "críticos de ocasião", nem Carnide, nem porto fariam mais mossas a estes alemães.

Pode parecer estranho, mas no actual panorama de valor do futebol europeu, Wolfsburg está bem acima em orçamento e organização que os maiores emblemas portugueses. Há 3 ou 4 anos isso seria bem diferente, mas a Bundesliga tratou de fortalecer os seus emblemas e quem sobrevive nessa competição com distinção está preparado para defrontar os melhores de outras ligas.

Ainda assim o Sporting competiu e podia ter até disputado mais a eliminatória. Desculpas agora é o que menos interessa. Penalti na Alemanha, golos falhados em Portugal....se formos sérios teremos de admitir que o Wolfsburgo, não jogando metade do que nós jogamos, compensa com rigor e muito trabalho as nossas notas artísticas. É uma boa equipa e fez por merecer eliminar-nos. Quando assim é, só resta olhar para o que resta das outras competições  e redobrar o empenho nas mesmas.

Dê por onde der, não fiquei desanimado com a nossa equipa. Correu, batalhou, tentou...fez pela vida. Cedric, Tobias, William, Adrien (que leão!), Tanaka...todos mostraram que vale a pena acreditar neste grupo. Eles próprios têm de acreditar e continuar a trabalhar ao máximo para serem cada vez mais unidos e talentosos. Que o clube não "brinque" aos FMs e se ponha a trocar por trocar no próximo Verão...estes têm de crecer juntos.

SL

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Fama e Proveito

Se um jogador se valoriza, vale mais. Óbvio certo? 

No futebol português isso não é assim tão óbvio. Apesar de alguns jogadores do Sporting se terem valorizado muito nos últimos 2 anos (Montero, Slimani, Cedric, Jefferson, William, Adrien, Carrillo e outros)…muita gente ainda fica surpreendida quando um suposto cube oferece mais do que 7 ou 8 milhões por um atleta nosso. 

Que os outros desvalorizem o que temos, ainda vá que não vá, mas já li e ouvi muito sportinguista dizer coisas como "…era x de milhões e ia logo!" Como se o que vestisse a nossa camisola fosse o lixo do futebol europeu. Não é. 

Não teremos o melhor plantel nacional, mas também não andaremos assim tão longe e temos muitos jogadores apetecíveis a muitos clubes por essa Europa fora. E são mesmo estes que saindo terão de trazer as tais transferências chorudas, para que viabilizem os próximos e permitam à Academia ser recapitalizada. 

O ciclo só pode ser este. Valorizar para vender, investir em poucas mas boas contratações e alimentar Alcochete dos melhores miúdos que andem por aí. Promover os melhores internamente, fazer render os outros fora do nosso emblema. Não é fácil. Mas é esse o caminho.


SL

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Serviços obrigatórios

Jogando o porto frente ao Boavista e tendo já sabido da vitória do Braga, nada mais restava ao Sporting vencer o Gil Vicente. Um adversário frágil, mas que vinha em recuperação desde há algumas jornadas. A grande questão era conhecida antes mesmo do jogo começar, quando ou se o Sporting iria marcar. É que como foi visto, o Gil, como outras equipas, sabe defender mal e porcamente, mas ao colocar 10 jogadores a defender...vai rezando pelos espaços curtos e tempos mortos no jogo. E o Sporting, nunca jogando essencialmente mal, não acelerou o jogo (é dificil ser rápido quando se tem 1m quadrado de espaço e meio segundo  para ver os companheiros que estão à frente) e deixou o marfim correr num jogo morno.

O árbitro ajudou à festa. Enganou-se quase sempre e quase sempre em nosso prejuízo. Penaltis, faltas por marcar, foras de jogo mal assinalados...é curioso que os árbitros exibam sempre tanta falta de categoria nos nossos jogos...más línguas poderiam dizer que nos apitam de má vontade, mas certamente que isso seriam só ideias tresloucadas de pessoas muito mal intencionadas.

O estádio estava quase cheio, mas um jogo morno põe os espectadores amorfos, só com a coxa de Tanaka se animaram e fizeram o que um estádio de 42,000 pessoas faz...festa e barulho. O golo era justo e o marcador de serviço recompensado. O Japonês correu que se fartou atrás das poucas bolas que chegavam à frente. Com o 1-0, o jogo acabou. Patricio não fez uma defesa no jogo todo e penso que os minhotos tenham acabado com 1 remate à baliza. Alguns fantasmas de resultados que a equipa não fora capaz de segurar no passado acabariam afundados na baliza do (bom!) guarda-redes do Gil, num golaço épico de Nani.

Destaque para a exibição de todo o sector defensivo (com uma nota especial para Miguel Lopes - ganda joga) que o pouco trabalho que teve resolveu bem. William engrenou de vez. André Martins esteve "bemzinho", João Mário muito bem...Nani e Mané a espaços estiveram em bom plano. Regra geral, o adversário não deixa tirar grandes conclusões, o jogo minhoto ficou demasiado curto em Alvalade e é bem mais fácil atacar sem medo de contra-ataques nas costas.

Nota especial para a monumental borrada que o árbitro podia ter feito. Penso que o resultado ainda estaria em 0-0, quando William quer marcar um livre...um jogador do Gil coloca-se meio metro à sua frente para impedir a marcação, o jogador do Sporting (como está nos livros de como tirar um amarelo ao adversário) joga a bola na sua direcção e depois de bater no infractor...vai acabar noutro gilista que inicia um ataque quando todos os jogadores da casa ficaram a pedir falta...o árbitro nada assinalou e o Gil teve uma ocasião de outro para marcar. Felizmente não o conseguiu...caso contrário seria o golo mais injusto e uma prova internacional do amadorismo absurdo dos nossos árbitros.

SL

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Muito para ganhar

Os últimos dois jogos da Liga afastaram o Sporting dos seus dois objectivos principais: o título e o apuramento directo para a Champions. Mas não há tempo para depressões, é preciso agora como nunca muita concentração e ânimo para o que resta da época. Estamos na Liga Europa (sim o Wolfsburg é mesmo a 2ª melhor equipa alemã...). Estamos na meia-final da Taça de Portugal, sendo que não existe mais nenhum "grande" em prova e o adversário para chegar ao Jamor chama-se Nacional da Madeira. Estamos em 3º na Liga, 4 pontos à frente do 4º classificado. Não há tempo para lamentar as exibições menos boas, os golos falhados, as aquisições ou as lesões. Só há mesmo tempo e recursos para respirar fundo e partir para o que ainda sobra desta época, que é muito.

Sim, provavelmente será mais um ano sem ganhar o título principal, mas fica a ideia de que pode estar um pouco mais perto aconteçam algumas coisas como:

A/ contratar 1 ou 2 jogadores para melhorar mesmo a equipa, saindo Nani é óbvio qual será uma dessas posições.

B/ mexer o menos possível no plantel principal, a estabilidade traz muitas vantagens, rotinas, familiaridade entre jogadores, experiência, etc

C/ manter o treinador, mesmo que os objectivos não tenham sido cumpridos, penso que Marco Silva com o apoio indefectível da direcção, mais experiência e um ou dois bons reforços, é gajo para levar o Sporting a bom porto.

D/ vender um jogador que garanta algumas renovações importantes, não me importaria que se vendesse Capel ou alguém do género "apenas" para garantir a manutenção de Carrillo e Cedric.

E/ vencer a Taça de Portugal. Não vale o mesmo que o campeonato, mas é uma bolsa de moral importante para motivar os adeptos e os jogadores. O Sporting, como qualquer clube grande, "acorda" com as vitórias.

SL

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Contos e Euros

Na falta de assunto para especular, o tema do momento dos media à volta do Sporting são as renovações. André Martins, Carrillo e Cedric são os alvos de atenção diária. Dir-se-ia que não terminado o contrato já nesta época o clube está ainda dentro dos "prazos" normais para estabelecer novos vínculos, mas claro, isso não vende jornais e a "história" que corre é que existem muitas dificuldades em chegar aos valores desejados pelos atletas.

Ninguém sem ser os implicados na matéria saberá a verdade do que está a acontecer, mas tenho para mim que não estará a decorrer nada mais do que a pura normalidade de uma negociação. Os jogadores valorizaram-se, o clube deseja mantê-los...é uma questão de tempo e diálogo e claro...dinheiro. Mas, como é hábito nos tempos que correm, tudo no Sporting é uma novela, cheia de peripécias e episódios negativos, o drama escorre pelas paredes da SAD leonina, tudo é conflito insanável...e depois...exprimida a verdade...as coisas acontecem como em todos os clubes. As montanhas parem ratos e os media assobiam para o lado como quem diz "...eu sempre disse que ia correr bem."

Quer se goste ou não. A SAD leonina tem mostrado mais organização e foco na gestão dos seus activos. Errou em alguns actos, mas ninguém é infalível e o futebol não é uma ciência. A bandalheira e burguesia criativa no governance do clube está muito mais ultrapassada do que nos querem fazer acreditar, mas todos têm um papel a representar e o que é dado diariamente ao Sporting e particularmente a BdC é o de conturbado furacão que sem critério empurra o clube para o insucesso. O rótulo não se adequa à verdade das medidas ou das políticas seguidas, mas o que é que isso interessa? O rei infalível do Norte e a rainha magnânima do Sul também não têm nada a ver com a realidade e no entanto é esse o retrato que todo o santo dia nos é servido nas capas.

Os arquétipos são coisas úteis, mas falíveis. Duram o tempo que têm de durar. Depois inventam-se outros. O futebol nos nosso media, fazem-me sempre lembrar aqueles compêndios de lendas da História de Portugal. O capitão que matava 30 mouros, o frade que se apaixonou por uma moura encantada, a padeira que despachava castelhanos no forno, o cavaleiro que lutou com o cão do diabo...séculos, muitos séculos depois, as lendas estão a ser todas rescritas e no futebol abunda todo o folclore necessário para alimentar as opiniões de quem não pensa pela sua própria cabeça.

Se calhar é melhor assim. Se todos olhássemos a verdade do que é o nosso futebol, não existiria o mínimo interesse pelos jogos, que são péssimos na sua maioria...salvam-se a histórias e as batalhas, elegem-se as épicas pelejas de comunicação, é o que temos.

SL