sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Roubalheira

Se há coisa que o Football Leaks trouxe de bom à discussão pública foi a promiscuidade do mundo das transferências do futebol. Fica claro em quase todos os documentos que os clubes sustentam demasiadas empresas e demasiados agentes paralelos ao fenómeno desportivo. O dinheiro que deveria ser dos clubes acaba sempre repartidos por mil e uma pessoas, muitas delas sem que se entenda sequer o que contribuíram para o negócio.

Para mim há uma conclusão a tirar deste fenómeno: as direcções dos clubes permitem com proveitos próprios que o cenário da fragmentação das verbas das transferências entre clubes ocorram. É vergonhoso, é criminoso, é inadmissível.
Os adeptos e sócios são autenticamente enganados, burlados com o alto patrocínio dos dirigentes das SAD e clube, alguns sendo apenas cúmplices beneficiando indirectamente, muitos sendo parte do lado que lucra directamente.

As polícias, governos e magistraturas vão fechando os olhos a esta pouca-vergonha, tal como provavelmente fazem com a banca, a política ou outros sectores da vida pública. Cada vez mais se comprova que ser eleito para dirigente de um grande clube, ou ser escolhido para fazer parte de uma SAD é meio caminho andado para enriquecer os bolsos sem ética e sem lei. Os adeptos do porto sabem-no. Os adeptos do Carnide desconfiam. Os adeptos do Sporting por agora vão confiando numa direcção que apregoou um auto-controle e não pacto com estes "dinheirinhos extras".

A transparência dos Orçamentos & Contas das SADs é zero. São livros de fantasia e muita recriação numérica, que escondem as off-shores, as comissões de dirigentes, a participação de familiares ou empresas de amigos, a influência para colocar peões na CMVM, na polícia ou quem quer que possa pedir contas aos clubes. Este autêntico advento dos dirigentes como lucradores dos negócios dos clubes mata a confiança dos adeptos e não sei como é que, por exemplo, um adepto do FCPorto terá vontade para aceitar reptos ou convocatórias emanadas por dirigentes que se acham "donos" do clube ao ponto de enriquecerem majestosamente com os dinheiros devidos ao mesmo.

E logo a malta do Porto que sempre me pareceu tão pouco permissiva ou passiva perante injustiças…são os mais "borregos", os mais submissos. Não acontece nada…e à parte de uns blogs que começam esporadicamente a dar eco aos escândalos que envolvem a Doyen e as "comissões" dos seus Caldeiras e afins…o resto é a prova mais que cabal de que algo vai muito mal nas gentes dos azuis e brancos. A minha dúvida é se concordam com tudo, aplaudindo a sabuja roubalheira que para ali vai…ou se simplesmente não há coragem para se associarem em defesa do clube. 


SL

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Filhos da clubite

Tão discretos como elefantes numa loja de porcelana, os paineleiros em programas de TV vão despejando informação. É execrável como tomaram conta do espaço mediático, eles e os seus "recados" passados com briefing ou sem ele. Não há um só espaço informativo que não esteja contaminado por uma clubite sem esperança de melhora e isso faz com que sejam espaços mortos de inteligência, debate ou fair-play. É uma guerra incessante de "armas de arremesso" onde se medem constantemente os argumentos pelo peso, pelo aspecto ou pela capacidade de tirar trunfos argumentativos aos demais. São absolutamente dogmáticos e desinteressantes, um subproduto da mentalidade tão pouco desportiva dos nossos dirigentes.

Não tenho respeito por nenhum paineleiro, não sinto apelo por nenhum desses programas de tv e muito menos baseio alguma opinião pela lixarada de propaganda que difundem. Sinceramente, no dia em que o meu clube parar de "fornecer" material para os debatentes leoninos serei um homem mais feliz. A mim não me interessa "ganhar" debates mas sim jogos de futebol e não podemos todos cair no caldeirão da conversa do "temos de lhes fazer frente para que não façam as cabeças dos nossos adeptos". Acho que um clube que tenha tão pouco em conta os seus próprios fás, não é na verdade um clube com massa crítica ou visto por outro prisma, é um clube com dirigentes muito inseguros.

"Mas a mensagem passa e cria-se a opinião que…" é o que mais me dizem quando expresso a minha ideia sobre estes conteúdos. Nada poderia ser mais certo na origem e mais errado na conclusão. É verdade que a tv cria realidades e nuances nas conversas de bola, mas também não é menos verdade que instrumentalizar as opiniões dos adeptos é um recurso de gente que não valoriza a diversidade, a crítica ou a sanidade do ambiente entre adeptos de cores diferentes. O estado de "guerra" é bom para reunir força ao redor de uma direcção, mas é absolutamente inútil mantê-lo 24 horas por dia, 7 dias da semana, 365 dias no ano. No dia em que realmente for necessário "convocar" os adeptos para uma fase de emergência do clube, eles simplesmente não darão pela diferença…será apenas mais uma direcção a gritar "lobo".

Isto terá tudo de mudar e muito. Corremos o risco de o futebol ser ultrapassado pela própria conversa sobre futebol e confundirmos a beleza do jogo com as lutas com os rivais. A clubite é gira para algumas brincadeiras, é divertida para alimentar as rivalidades…mas não deve ser uma ferramenta de trabalho dos dirigentes, uma alavanca que se puxa sempre que se quer por um ponto de exclamação numa frase. Tomara que o meu clube entenda isto.


SL 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Roubos de concentração

O Porto "roubou" José Sá, Marega e Suk. Esses gloriosos e épicos títulos de jornal não foram suficientes para que, se tudo correr bem hoje ao final da tarde, o clube azul e branco fique a 8 pontos do Sporting. Nenhum dos jogadores citados trouxe ao clube nortenho aquilo que precisava…uma equipa.

Isso deve fazer pensar muitos dos que por agora celebram "roubos" de jogadores e os resultados que isso trará hipoteticamente no futuro. Os jogadores "desviados" não ganham títulos e muito menos disfarçam problemas, bem pelo contrário, copiar rumos e estratégias é o principal sintoma de que algo vai mal na confiança de que existe dentro de casa quem tenha ideias tão válidas como as dos rivais.

Hoje, mesmo sem Marega, Sá ou Suk, espera-se que o Sporting seja mais equipa, mais solidário e mais inspirado para ultrapassar o Rio Ave. Que não será fácil nem indolor…como já pudemos ver, derrotar o Sporting e JJ é uma liga dentro desta Liga…e não vamos ter a sorte de um treinador espanhol que decide jogar de peito feito contra a nossa equipa.

Concentração…máxima. No jogo a jogo, nos 3 pontos, na motivação absoluta para permanecer mais uma semana. como líder.


SL  

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A alegria dos tontos

Como já se esperava o tema "Carrillo" virou o único assunto desportivo em Portugal. Porque aparentemente não interessa falar sobre a centena e meia de jogadores sob contrato no Carnide ou a recuperação do porto, espetam-se continuamente as mesmas perguntas e as mesmas respostas…apenas para chegar à mesma conclusão vezes sem conta: a culpa do insucesso na manutenção do jogador é, única e exclusivamente de BdC.

Porquê? Bom, as variantes para a resposta são poucas e muito pouco alicerçadas em factos e números. A única mais ou menos factual e bastante óbvia aponta para que em determinado momento (aqui a vasta imensidão do tempo toma conta do intervalo apontado) o Sporting devia ter valorizado o jogador. É como todos os analistas se reduzissem à inteligência de um miúdo de 8 anos. Mas até que ponto isso será verdade, isso ninguém se questiona.

A razão principal da não renovação de Carrillo foge ao raciocínio de toda as análises nos media…nem Casareto, nem Zahavi, viram vantagens em que o Peruano renovasse e essa percepção começou bem cedo e sustentada por uma divisão de percentagens do passe do jogador que lucraria muito pouco ao Sporting. Acho curioso como ainda ninguém se perguntou qual a percentagem que o Carnide garantiu na contratação do jogador e quais serão as clausulas do contrato, nomeadamente quanto à exposição perante ofertas de determinados clubes e por determinado valor.

Carrillo foi, é e será um "payback" dos empresários à postura do Sporting na defesa dos seus superiores interesses. E quem achar que é outra coisa, não entende a posição de força que os empresários e empresas que detêm percentagens de passes de jogadores têm hoje nas movimentações do mercado.
Muitos dos clubes, a esmagadora maioria, não se atreve a questionar o direito destes agentes a uma fatia cada vez maior do dinheiro que circula…e sim têm medo, receio, cagufa do que poderá acontecer aos seus Carrillos caso desagradem a algum empresário.

Hoje em dia os jogadores são e sabem-no, o principal alicerce do sucesso de uma equipa. Nenhum conjunto consegue vencer algo no futebol moderno não tendo alguns dos melhores jogadores da prova em questão. Já existem poucas surpresas e a era das equipas sem vedetas que se superiorizam pelo empenho colectivo já são apenas histórias que se contam nas esplanadas e nas bancadas dos estádios. Os jogadores e os treinadores têm exacta noção do seu papel primordial e cada vez menos identificação com o clube em que permanecem. O contrato é o Deus maior desta era desportiva. Persegue-se o contrato, idolatra-se o contrato, o resto é…paisagem.

Com tão ínfima relação entre todas as partes, é o dinheiro que se torna o cimento de qualquer relação. E é preciso cada vez mais. Cada vez mais. Já todos entendemos que isto terá um fim bem triste dentro de pouco tempo. Os clubes estão cada vez mais falidos e mesmo os poderosos começam a perder terreno para novas realidades. Quem se lembrasse de dizer há 3 anos que o Atl. Madrid venderia Jackson para um clube chinês…seria gozado até à exaustão. Os jogadores, os bons, acorrerão cada vez mais para onde exista (muito) dinheiro…como os mosquitos para uma lâmpada…e o dinheiro está cada vez menos dentro dos emblemas tradicionais, nos países habituais. Não fora a "resistência" inglesa e a hiperbólica realidade dos dois gigantes espanhóis…e o quadro seria ainda mais incrível.

Mas nada disto interessa ver, analisar, ou colocar em debate quando se olha para os ganhadores do dinheiro da passagem de Carrillo para o Carnide. Não interessa sequer se é justo que o Sporting, clube que preparou e finalizou a formação do jogador durante 5 anos, não veja um tostão dos muitos milhões que couberam em sorte aos empresários. A inversão das importâncias do "trabalho" é absurda e nem a FIFA nem a UEFA parecem preparadas para corrigir esta selvajaria pornográfica que arrastará o dinheiro cada vez mais para fora dos clubes, cada vez mais para paraísos fiscais, expondo o clube aos interesses de capital hiper duvidoso que aparece a acenar às dificuldades estranguladoras das tesourarias dos emblemas.

Confesso que acho chocante que a maioria dos adeptos esteja disposta a fechar os olhos a crimes ou actividades muito próximas de o serem, apenas porque é o status quo do futebol moderno. Tal como em tudo nas nossas vidas, a crise de valores é absoluta e total e a ruína dos nossos modos de vida está mais que pré-anunciada. Os justos são "otários", os correctos são "fracos" e os gratos são "burros". Os desonestos são "espertos", os falsos são "estrategas" e os ingratos são "ambiciosos". Carrillo, Maxi Pereira ou Fernando são provas do mesmo problema. Olhar e escutar os adeptos benfas a soltarem foguetes por terem conseguido garantir o jogador peruano é entender que muito poucos entendem o que se está a passar em todos os nossos clubes. Num futuro bem próximo acontecerão mais casos como este e não vale a pena celebrar grande coisa, pois a sangria que ocorre ao tentar evitá-los é tanto ou mais grave que deixar os jogadores sair a custo zero.

Lembro-me perfeitamente de ter escrito exactamente isto no final da época passada no caso de Maxi e ter salientado que ao ver chegar jogadores a "custo zero" em litígio com os clubes de origem ao Sporting…a última coisa que vou fazer é festejar. Por mais que seja um bom jogador, por mais que prometa mundos e fundos, é e será sempre um sintoma mau do futebol e só os tontos e os palermas se animam com maus diagnósticos. 


SL

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Verbo Ir

Agora que passou o vendaval "transferências" voltamos à bola. Gostava tanto de um dia aguardar pelos jogos com a certeza que só os futebolistas é que vão jogar. É quer era mesmo porreiro. Mas enquanto o "sistema" for o que é, haverá sempre mais um Xistra para nos tirar o sono.

Ainda assim é para ir à luta, ir ao estádio e manter a liderança. É mais uma final e a equipa precisa de nós. Precisa mesmo.

SL

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

E foi assim

No fecho da janela de mercado a grande novidade foi mesmo a troca de Montero por Hernan Barcos, muda o perfil de avançado disponível e esperemos o rendimento da solução. É que Montero não sendo um titular de caras, não raras vezes saiu do banco para dar pontos por conta própria ou fazendo assistências para tal.

De resto, Janeiro foi assim:

Entradas Eq.A: 
Schelotto, Zegelaar, B.Cesar, H.Barcos, S.Coates, R.Semedo, 
Saídas Eq.A: 
Boeck, Jonathan Silva, Montero, 

Entradas Eq.B:
Chaby, Kikas, Betinho, T.Rukas, Neymar, V.Herberkon, M. de Souza. Tobias F.
Saídas Eq.B:
Sambinha, Labyad, Viola, Cisse, D.Salomão, H.Sacko

Ewerton e Teo, ficarão à condição de poderem sair para campeonatos como o sul-americano, turco, russo ou mesmo asiático. O segundo obrigaria sempre a uma entrada, provavelmente de um jogador livre de contrato (o que será bastante mais complicado em Janeiro do que é em Agosto). Tobias deve recuperar na B.

As soluções da equipa ficarão, mais ou menos, desta forma:

GR > Patricio, Zug, Stojkovic
DD > J.Pereira, Schelotto, Esgaio
DE > Jefferson, Zegelaar, Esgaio
DC > P.Oliveira, Coates, Naldo, Ewerton, R.Semedo, 
MDC > William, R.Semedo, Paulista,
MC > Adrien, Aquilani, J.Mário. B.Cesar
MA > Gelson, B.Cesar, J.Mário, Ruiz, Matheus. Mané
2AV > Ruiz, Teo, Mané, Barcos
AV >  Slimani, Barcos, Teo, Ruiz, Mané 

O plantel apesar de tudo (sim…a saída de Montero) ganhou melhores soluções, mais experiência, altura e peso. A grande dúvida será sempre o que vem acrescentar Barcos e especialmente Teo, que se ficar no plantel não poderá nunca evoluir como tem feito nesta segunda volta. Em ano de Copa América, o colombiano não poderá nunca manter-se alheado da equipa e mais focado em mensagens evangélicas nas redes sociais do que em provar o seu excelso vencimento mensal.


SL

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Problema avançado

Os avançados disponíveis no plantel do Sporting são: Montero, Teo, Slimani, Tanaka e Mané (se consideramos o passado do jogador). Pois no final do dia de hoje podem ficar todos, nenhum ou só Slimani.

O argelino vai estar dependente de uma loucura de algum "inglês" endinheirado, o que não é impossível. 30 milhões é muita fruta para a nossa realidade, mas lá para aqueles lados é um luxo acessível. A acontecer parece que está prevista a entrada do ucraniano Seleznyov.
Teo vai ser daquelas vendas a ser trabalhadas até ao último segundo...se ficar, pode ser ou um dos maiores problemas no plantel ou uma das melhores aquisições...tudo depende do que aquela cabeça mandar, isto em ano de Copa América.
Os jornais confirmam, mas eu gostava de que fosse desconfirmada a troca de Montero por Barcos e mais uma verba que pode oscilar entre 5 e 7 milhões. Seria um bom negócio caso o argentino viesse acrescentar muito a Slimani, mas parecem-me mais semelhantes que complementares, muito ainda por descobrir nesta notícia.
Tanaka também pode sair, mas aqui não prevejo necessidade de substituição. Sem taças internas, 3 avançados (+ Mané) podem chegar para as encomendas. Aliás o não empréstimo do português revela muito sobre as mexidas previstas no sector atacante.

O cenário ideal para mim seria: Montero, Barcos, Slimani e Mané....saindo Teo e Tanaka para entrar o argentino. Fico a fazer figas até à 01:00...

SL