quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Furtos e Roubos

Sabe-se que uma das regras de qualquer compêndio criminologista defende que o furto muitas vezes acontece fortuitamente, sem premeditação. A sabedoria por detrás do ditado “a ocasião faz o ladrão” é factual.

A história do furto de Mitroglou está romanceada, plena de emoção e twist´s no argumento, mas ao contrário de outros furtos célebres no futebol português tem um senão: o “ladrão” roubou menos do que queria e demais para o que precisa.

O nome Kostas Mitroglou desencadeou muita simpatia juntos dos adeptos leoninos. Mas alguma estranheza. Desde a primeira hora que foi óbvio ser incompatível ter o internacional grego como “suplente” de Slimani. Ganha demais e nesse estatuto não se valorizaria nunca ao ponto de justificar o accionar da sua cláusula (entre 6 a 7 milhões).

Pode-se dar o caso de JJ não ser à partida grande adepto das qualidades de Slimani e ter dado luz verde a uma boa venda, resguardando o grego para o seu lugar. Pode-se até ter dado a eventualidade de com os treinos e especialmente com os jogos, JJ ter mudado de opinião e o plano que envolvia Mitroglou ter ficado como opção caso chegasse uma proposta irrecusável pelo titular argelino.

O que é certo é que durante um mês, o Sporting regateou ao milhão as condições de empréstimo e durante esse tempo não chegou a tal proposta inglesa por Slimani. A partir do jogo de apresentação era óbvio que ficou tarde demais para vender o nosso avançado mais valorizado. Porquê?

1/ O apuramento para a fase de grupos da Champions termina nos últimos dias de Agosto. Qual é o clube que vai desembolsar 15 ou 16 milhões (valor especulado na imprensa que “obrigaria” o Sporting a vender Slimani...eu penso que será um pouco mais) numa fase tão tardia? Os clubes ingleses e franceses são os mais apreciadores das qualidades de Islam, mas os encaixes dos contratos televisivos já foram feitos (a grande fatia dos seus orçamentos) e por estes dias estão a terminar as grandes contratações. Passando esta janela, que terminará nesta semana, qualquer negócio será feito com menos fulgor e convínhamos que 16 milhões, mesmo para um clube médio inglês é um patamar de excepção...onde Slimani “ainda” não entrou.

2/ A cada jogo da pré-época que passou foi ficando mais difícil aceitar a venda de Slimani como “um bom negócio”. Tacticamente salta aos olhos que a equipa com o argelino faz mais, melhor e de forma mais natural. Aliás o esquema “sagrado” de JJ dos dois pontas de lança móveis na frente até já está a ser adaptado a um avançado fixo (Slimani) e um vagabundo (Montero ou Teo) que pode até funcionar (e...muitas vezes) nas costas do primeiro. Esta adaptação chama-se “rendição” ao talento do argelino e seria uma facada nos planos de Jesus fazer cair por terra todo o seu trabalho de construção com uma venda.

Ora se vender Slimani deixou de ser há algum tempo uma hipótese, Mitroglou só poderia chegar como suplente e nessa qualidade havia que fazer baixar as condições contratuais para valores que encaixassem na definição de alternativa. O que não aconteceu. No impasse (o Sporting não necessitava de desatar este quadro...apenas por prevenção) chegou o Benfica e ao que parece não negociou sobre os mesmos moldes, mas sim com um agravamento das condições. Para mim esta operação não pode ser considerada tão fabulosa como parece e explico porquê.

Depois de Vitória ter decidido manter as rotinas tácticas desenvolvidas ao longo de 6 anos e especialmente depois de vender Lima, era mais ou menos natural que fossem ao mercado adquirir um jogador semelhante, ou seja, um avançado rápido que saiba movimentar-se verticalmente no terreno, marcando mas também tendo recursos para dar a marcar. Nem Nelson Oliveira, nem Jonathan encaixam nesse plano. Então para que servirá Mitroglou, um avançado que pela sua natureza desloca-se muito menos que por exemplo Slimani ?

Poderá o novo treinador do Benfica fazer a mesma adaptação que Jesus, fazendo cair o desenho de 2 avançados para adaptar Mitroglou? Parece simples não é? Errado. Nessa situação Jonas perderia expressão, especialmente goleadora. É o que se chama não ficar pedra sobre pedra. O grego e o brasileiro serão compatíveis? Na minha opinião...não. Ou melhor serão menos do que o foram com Lima. Volto à mesma questão...não seria mais eficaz apostar as fichas num substituto que encaixe no perfil que já está trabalhado? A estrutura ao que parece não resistiu a um “furto”e para mim é óbvio que compraram mais problemas que soluções e quase que adivinho a azia de Rui Vitória ao ter de ceder ao “golpe” mediático, mais do que receber soluções aos seus problemas. Ainda para mais, saindo Gaitan, a equipa não tem um extremo que seja modelado para triangulações que é a verdadeira forma de servir Mitroglou, ao contrário do Sporting que tem Carrilho (até ver), Ruiz e Mané.

Resumindo, acerca de furtos e roubos, façam bom proveito e...desfrutem.


SL

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Ah...e tal

Como já vem sendo hábito, as segundas-feiras são o palco de referência para as justificações futebolísticas nos media. Depois de os 2 grandes de Lisboa darem por encerrada a sua pré-época, ontem foi tempo para "reflectir" nos pontos de situação dos dois clubes. E, meus caros, foi um manjar divino de comédia, ou se preferirem, um manjar de comédia divina.

O Sporting, apesar de todas as novidades, upgrades ou fortalecimento teórico foi completamente relegado para segundo plano. Mas desta vez por uma boa razão. Houve que apresentar todo um rol de desculpas, 96% delas completamente esfarrapadas, para que seja compreensível e até admissível o zero redondo em que se encontra o super candidato, favorito, eternamente preferido Sport Arábico e Benfica.

Eis só algumas das justificações:

- Em digressão (a tal que era a do século...) é difícil treinar e afinar uma equipa.
- A equipa oscilou entre locais do globo com temperaturas muito altas e muito baixas.
- Competiu com equipas de grande nomeada (...como o Monterrey ou o América, ou mesmo a 2ª linha do PSG)
- Enfrentou equipas com uma preparação muito mais adiantada (...como a Fiorentina, ou um NY Red Bulls em versão rodízio de jogadores)
- O Rui Vitória não conhecia os jogadores em modo treino (...?...)
- O Carnide faz más pré-épocas e depois boas temporadas (é uma causa-efeito parodoxal, para não dizer mais)
- Foram demasiadas viagens longas (de quem será a culpa?)
- Foram contratados muitos jogadores que não conheciam Portugal e o Benfica (Sporting e Porto contrataram muitos mais "estrangeiros"...mas ok)
- Alguns dos reforços ainda não assimilaram as ideias do treinador (quais ideias?)

Enfim, há de tudo e para qualquer gosto. A principal conclusão ou elação ninguém faz ou tira...o Benfica está tremendamente atrasado na preparação de uma equipa, quer na definição do plantel, quer no trabalho táctico de um onze. Estes dois factos, repito - factos, são porventura emanados pelo mesmo problema de origem - a restrição orçamental e aqui reside o cenário que todos os media andam a tentar construir (porque há dados suficientes que o permitem fazer): Vieira simplesmente não tem crédito bancário ou sequer folga de tesouraria para gastar. E das duas uma...ou vende Gaitan usando a verba para contratar 3 ou 4 jogadores de media-alta qualidade, ou o plantel será mesmo este com uns reforços de veteranos sem contrato de última hora...o pior é que nem todos os dias é Natal e o efeito Jonas é muito raro no futebol.

Ao menos o Sporting no início do mandato de BdC enfrentou a realidade e usou de honestidade para comunicar que enfrentaria um período de restrições orçamentais...porque não havia dinheiro, ponto final. Mas com Vieira nunca se terá essa "sorte" ou frontalidade e os adeptos encarnados navegam entre uma espartana vontade de alinhar no discurso de "no poupar é que está o ganho" e uma incrédula vontade de perguntar onde param os milhões permanentemente anunciados.

Para mim não restam dúvidas que a tal "estrutura" do Benfica tem um problema chamado dinheiro e sem ele é muito complicado construir equipas, até porque a dependência da acção no mercado de Jorge Mendes é absoluta. Causa-me alguma perplexidade e confesso, muito divertimento, o estado de negação dos dirigentes e adeptos que se recusam a ver porque motivos o Monterrey limpou a Taça Eusébio com 3 limpos (podiam ter sido mais não fora as boas defesas de Júlio Cesar...). Simplesmente não conseguem ver, ou tentam evitar de entender o contraste desta equipa, com a que venceu a Liga ainda em Maio. É que resta apenas a disposição dos jogadores no terreno (e até isso está um pouco embrulhado) e os nomes nas camisolas.

Antes que se apressem a contestar este post com a tal boca "ah e tal só sabes falar nos rivais..." tenho que dizer aos mesmos que tontos são aqueles que não olham para os seus adversários e grandes são os que os consideram e respeitam...começando por analisar as suas forças e fraquezas. A grandeza de um clube ou massa associativa não advém de uma superioridade ou sobreposição sobre os outros, que impeça falar, pensar ou comparar-se com o rival. E sobretudo não me desfoca na devoção ao meu clube, bem pelo contrário. A identidade e a identificação faz-se sobretudo pela diferença e pela afirmação dessa diferença. Mas sem teorias de superioridade...o Sporting é melhor, maior e assim o será sempre...incondicionalmente, mas essa é a minha visão completamente parcial e interessada.

Pena que muitos não admitam que os comentários e análises que fazem sofrem do mesmo problema e pena também que outros se afirmem convictamente superiores tentando suportar essa posição com pseudo-factos e não com estados emocionais. O futebol português e eu ficaríamos muito agradecidos.

SL

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

As candidaturas

No início da época são todos candidatos. Todos se declaram possíveis vencedores. No último dia de Agosto algumas coisas podem mudar e lá para meados de Outubro os cenários e as candidaturas são bem diferentes.
O Sporting anunciou a sua mudança. Investir. Na equipa técnica e em jogadores que tragam mais hipóteses de sucesso, é uma forma de candidatura. Nem todos os jogadores chegados reforçaram essa intenção, mas o mercado está longe de estar fechado e tal como o rival de Lisboa, espera-se pelo dinheiro de vendas para ir a uma segunda fase de compras. Uma primeira abordagem essencial está feita. Há um esboço de equipa mínima, veremos se chegamos ao outro nível.
No Benfica o cenário parece invertido, mas o discurso é o mesmo. Não poderia ser doutra forma. Têm a vantagem de ter toda a opinião mediática a suportar uma ideia, errada quanto a mim, que estão no mesmo patamar de soluções que os restantes rivais. Os resultados não dizem tudo, mas se olharmos atentamente ao plantel encarnado, falta ali tanta coisa, que só se pode concluir que há uma enorme fezada em Carnide que os veteranos Júlio César, Luisão e Jonas suportem mais um ano de alta rodagem (é que não existem alternativas) e que elementos como Jardel, Eliseu ou Pizzi façam sem JJ o mesmo nível de prestações. Pode-se culpar Rui Vitória por um plantel repleto de dúvidas quando tanto se promove a “estrutura”? Pode-se culpar um treinador por toda uma abordagem de mercado a contar com a venda de Salvio e Gaitan? Estará a “estrutura” a contar com “Colinho” para preencher as lacunas evidentes da preparação da nova época?
No Porto é tempo de abundância. Uma inacreditável abundância. Dizem que estão a gastar o dinheiro das vendas. Sim, elas existiram. Mas sinceramente espantar-me-ia se aos cofres da SAD tivessem chegado metade de todas as verbas anunciadas. O peso salarial do plantel (que ainda não está fechado) é de tal ordem que é evidente que esta versão portista é um autêntico viveiro de negócios. E por vezes os negócios não defendem penaltis nem marcam golos. Mas não vale a pena tapar o sol com a peneira, o Porto está a montar um conjunto de jogadores fortíssimo, com nomes de peso, muitas e assinaláveis soluções. Veremos se Lopetegui é rapaz para formar um onze ao mesmo nível. Se fosse dado este plantel a outros treinadores...

É cada vez mais evidente a descolagem dos 3 grandes de todas as outras equipas, durante várias épocas o Braga lutou por criar uma ponte entre a 2ª linha e os 3 crónicos candidatos. Cada vez mais esse cenário se afasta e o desinvestimento de Jorge Mendes quer no Benfica, quer no Braga pesa sobretudo nas hipóteses do clube minhoto. Paulo Fonseca tem um plantel muito longe das equipas dadas a JJ, Domingos ou Leonardo Jardim...e por mais que não aprecie a colagem do presidente do Braga aos sugardaddys Porto e Benfica, tenho pena que não existam mais equipas a contrariar o peso dos 3 habituais grandes.


SL

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Ícaros

Todos conhecem a personagem mitológica Ícaro, que se perdeu nas imensidões da sua própria soberba. Contas feitas ao dinheiro que o porto já gastou e comparando com o que Sporting e benfica fizeram no mercado até agora, a conclusão é muito simples.

O porto não está sozinho nesta súbita postura "estravagante", diria excêntrica. Falando verdade, já que poucos o fazem, nenhum dos grandes portugueses tem capacidade para remunerar simultaneamente Casillas, Imbulla, Indi, Alex Sandro, Moutinho, Maxi, Bueno e ainda poderá chegar Mitrovic ou qualquer coisa do género. Não tem.

É por demais óbvio que não é o dinheiro das vendas que alicerça esta nova fase milionária do porto. A SAD azul e branca não tem mostrado qualquer superavit capaz de tudo isto e é mais que evidente que a grande fatia das vendas serve habitualmente para suportar os encargos mensais com o plantel. Então? De onde vem esta "coragem" e desafogo?

Simples, o porto perdeu 2 anos. Entre alguma arrogância, más escolhas ou só o cumprir do acordo "agora tu, agora eu" com Vieira, a verdade é que o porto vê-se este ano (até pelo all-in do ano anterior) na obrigação de "tapar" a asneira...e quem está sempre pronto a dar uma ajuda para criar endividamento (à revelia do tanso fairplay financeiro) pela porta do cavalo? Sim, os amigos da Doyen, o amigo Mendes, o amigo D´Onofrio, o israelita, a lista é interminável pois o porto é o grande hangout da podridão das negociatas europeias. O Mónaco segue-lhe as pisadas (ou não fosse geminado pelo Midas)...mas ainda terá muitos anos de negociatas e ilegalidades por fazer até chegar aos calcanhares do clube portuense.

O que apressa esta gente toda a encher o porto de chouriçada futebolística? O fim dos TPOs não é de certeza (os TPIs estão aí a prová-lo). O fairplay financeiro está suspenso (e nota-se...). Há mais qualquer coisa no ar...quem sabe nos escritórios particulares de alguns legisladores europeus não andam umas pastas com case-studies sobre a espectacular e eficiente regra Americana da MLS (copiada com sucesso pela nova liga Chinesa) de ser a Liga Profissional (ao melhor género das NFL, MLB, NBA) a gerir a contratação e venda de atletas (que cheguem de fora ou para lá se transfiram)? Será esse o fim dos negócios dourados de muitas powerhouses de vampirismo sobre os clubes de futebol?  Não sei, mas que pode por muita gente a querer tomar de assalto os lugares políticos da tutela desportiva...pode. Mas será fácil tomar de assalto as maiores ligas europeias?

Do que não tenho mesmo dúvida nenhuma é de que o poder dos empresários distorce o futebol. A lógica de cartel e favorecimento é clara e destrói o principio do desporto...o equilibrio, é isso que gera competitividade. Que digam a liga Grega com o eterno Olympiakos, a escocesa com o sozinho Celtic, o que destruiu o predomínio do Lyon em quase 12 anos em França, ou da Juventus em Itália. A importância de um Dortmund na Alemanha,  a pujança da liga inglesa com Chelsea, Arsenal, Liverpool, ManUtd e City à vez a terem os seus períodos de domínio. A Espanha com o seu muito particular duelo de titãs Real-Barça, é a rivalidade que gera interesse e emoção...e não o previsível esmagar da concorrência.

Ícaro também pensou em chegar ao Sol, mas queimou as asas. Outros podem querer a hegemonia e perder-se nos confins da mesma. Mesmo que tenham sucesso e quanto maior ele existir, mais se queimarão as asas. Infelizmente a visão de ser "absoluto" não gera nada, só desinteresse. Enquanto não me conseguirem "obrigar" a ser adepto do porto esse plano será sempre uma viagem desnecessária aos astros, com quedas vertiginosas associadas. Alexandre o Grande morreu de uma vulgar infecção, era apenas mais um mortal e muitos dos que andam no futebol esquecem-se do mesmo factor. Todo o dinheiro, toda a ganância, toda a falcatrua e humilhação que provocaram nos seus adversários...serviu para edificar apenas mais um castelo de areia, que na maré seguinte desaparece.

Grandes são os que constroem, criam, avançam, e arrastam todos os outros nessas demandas. Os ratos serão sempre ratos, a comer nas sombras carne putrefacta. A digerir os Maxis e os Danilos pensando terem asas capazes de disfarçar a pura pequenez das suas almas e outras miudezas...

SL

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Os stresses das Quinas

A FPF há muitos anos que tarda em assumir-se como uma instituição ao nível das suas selecções. Já para não falar do défice gigante de competitividade das competições que organiza e na inconstância das escolhas dos quadros técnicos, surgem agora demasiados problemas clínicos para não concluir que existe um problema claro de escolhas.

Desde sempre terreno de batalhas no jogo de forças entre os grandes, a Federação do nosso futebol é o espelho de outros problemas crónicos do nosso país. Clientelismo, permuta de favores desportivos com empresários do futebol e não só, favorecimento nos contratos de fornecedores, o vulgo tacho e o compadrio, tudo está na origem de muitos problemas completamente evitáveis e polémicas tontas.
As lesões de William e Bernardo Silva são só mais uma prova de incompetência. Uma entre muitas.

Devo já dizer que no caso de William não culpo o jogador. Também joguei à bola e mesmo num patamar a milhas do nível de competições em que o médio sportinguista está envolvido, o que é certo é que queria sempre jogar e fi-lo muitas vezes sabendo que "algo não estava a 100%". Mas como é que alguém me dizia que depois de treinar uma semana inteira ia ter de ficar na bancada a ver os outros jogar?

É preciso também lembrar que William Carvalho não tem histórico de lesões graves. Provavelmente em toda a sua carreira é a primeira vez que vai para o estaleiro com uma lesão de "meses". Tenho como quase certo que a sua inexperiência no convívio da dor somada à vontade de conquistar o troféu europeu de Sub21...fez a maior parte do estrago. O que não se admite é a displicência do corpo médico da Selecção. Qualquer queixa deve ser analisada, mesmo que o atleta tenda a desvalorizá-la. Quem trabalha com jogadores de futebol sabe que o jogador vai tentar sempre relativizar a dor. Sempre. E mesmo que não tivesse sido matéria de análise durante a competição, seria o mínimo dos mínimos que fosse feito um check-up à queixa, antes de enviar o atleta para férias.

Os atrasos dos relatórios médicos que só chegaram por pedido do clube e em cima do regresso à actividade dos jogadores prova a enorme incompetência e incompreensão do meio competitivo do corpo clínico que acompanhou os sub21 num torneio internacional. Amadorismo que vai sair muito caro ao Sporting, logo ao clube que mais contribuiu para o plantel português. O Sporting deve pedir e medir responsabilidades, exigindo muito mais cuidado na gestão médica dos seus activos. Será mais ou menos transparente a valente borrada cometida, serão mais ou menos irrelevante os mecanismos de protecção do clube face ao erros da FPF. Mas urge levantar bem a voz e mostrar insatisfação. É que não vale a pena andar cheio de mesuras a formar atletas para depois regressarem gravemente lesionados por uma questão de negligência médica das selecções.

É que se William é carne para canhão para uns, para outros é uma peça fundamental para atingir sucesso desportivo. Rui Jorge, como responsável máximo, não estará isento de toda esta valente trapalhada.

SL

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Embrulha Godinho

"Godinho Lopes insinua que Bruno de Carvalho pensa que o Sporting Clube de Portugal começou quando ele chegou. O que Godinho Lopes quer é desviar a atenção para o facto de que o Sporting ia acabando quando ele saiu.

Godinho Lopes diz que Bruno de Carvalho não está para unir os Sportinguistas! De certeza que, não se estando a referir aos 97,23% dos Sócios que votaram favoravelmente o orçamento, na recente Assembleia Geral de 28 de Junho, Godinho Lopes, quando fala de falta de união, só se pode estar a referir a sócios que vão à Suíça testemunhar a favor da Doyen e contra o nosso Clube. Ou aos que recorrem à comunicação social para procurar denegrir a imagem do Sporting e dos seus órgãos sociais.
É sintomático, e até caricato, o deslize que Godinho Lopes comete ao ilustrar a pretensa divisão do Clube com o facto de ninguém dizer mal do Presidente e permanecerem "duas vozes contra": a sua e a de Dias da Cunha...
Godinho Lopes fala de gestão "com base no medo" quando devia era sublinhar a "gestão sem medo": sem medo de assumir um Clube falido como Godinho Lopes deixou, sem medo de herdar a pior classificação de sempre da nossa equipa de futebol e de em dois anos a recolocar na rota dos títulos , sem medo da verdade, sem medo do rigor, sem medo de enfrentar todos os que estejam contra o Sporting.
Esta entrevista de Godinho Lopes soa a Requiem que, como sabemos, também foi uma obra encomendada: o momento, o meio, o conteúdo, em tudo há um canto do cisne."

O Director de Comunicação do Sporting Clube de Portugal

Mário Carneiro

Sabem o que é melhor nesta resposta? O facto de ser o Director de Comunicação a falar em nome do Sporting. Esta não é uma resposta do actual presidente ao seu antecessor (como o último desejaria) mas sim outra pessoa da estrutura a fazê-lo. De génio. A única intenção de quem anda a orquestrar os depoimentos de GL é colocar na imprensa uma batalha de posições, arrastando BdC para uma feira mediática deprimente. Ao tornar isso impossível, o Sporting consegue 3 em 1. 

1) Salvaguarda a imagem de BdC para outras lutas;
2) Reduz a importância mediática da discussão;
3) Coloca uma nova peça de xadrez (Mário Carneiro) dentro de jogo.

Normalmente vê-se pouca sagacidade na gestão da comunicação do Sporting, sobretudo nas lutas mais "políticas"...mas esta aplaudo de pé. Bravo!!!

SL

O regresso do "maverick"

João Pereira. Quem diria? Lamento dizer isto, sobretudo à cáustica falange de sportinguistas que não gostam de nenhum jogador do Sporting, mas assim que soube da notícia, fiquei contente.
Não é o melhor lateral direito que se pode ter numa equipa, mas tê-lo como solução é bom e não mau. Sinceramente não sei se em boa forma e mais maduro não estará até a um nível superior de Cedric. Uma coisa é mesmo segura, será muito mais barato que um Cedric depois de renovar e um plantel não pode ter só "pesos pesados".

A ver vamos como está o nível disciplinar e o quanto melhorou depois de passar por Valência e Hannover, sendo que será mais ou menos seguro que vem já com outra visão do futebol. Mas a coisa, mesmo, mesmo boa...foi ter sido conhecida a transferência por altura dos exames médicos. O Rui Pedro Brás com este não vai poder iniciar a frase com o tal "Podemos adiantar que...".

Bem vindo de volta João Pereira. Não ligues ao que se vai dizer nos próximos dias. Treina e muito e põe-te fino para uma grande época. Só isso.

SL