terça-feira, 30 de junho de 2015

O Sporting Bom e o Mau

O Sporting mau.

Acho piada que uma pessoa escolha os media para se defender de um processo não público. Godinho Lopes elegeu a TV e os jornais há muito tempo, deixando para trás a relação com os seus pares, sócios do Sporting. Não acho que faz mal, acho que é mesmo a solução mais indicada para quem sempre teve muita dificuldade em pertencer ao espaço interno de debate. Não é, nem foi o único. Muitos dos responsáveis da SAD e do clube nas gestões anteriores, desistiram de comparecer em qualquer espaço do clube, sejam jogos, eventos ou AGs. É como se o seu Sporting tivesse findado com a eleição de BdC. Porventura terão razão ao pensar dessa forma.

Arrastar o Sporting para a peixeirada de discutir as acusações factuais da auditoria com um contraditório que assenta em intenções "eu sempre quis doutra forma" e "podia até ter sido pior se eu não..." ou mesmo "na altura parecia o mais correcto". Das duas uma, ou os números e métodos são falsos ou são verdadeiros...e é apenas isso que interessa neste momento e é a essa argumentação que Godinho Lopes está permanentemente a fugir. Imaginem uma pessoa acusada de assaltar um banco defender-se dos factos 1. Foi visto a entrar no banco; 2. Foi visto a apontar uma pistola ao caixa; 3. Foi visto a sair do banco com um saco volumoso...com os argumentos de que: 1. Entrou no banco como qualquer outra pessoa; 2. Não era uma pistola, era uma bisnaga; 3. O saco tinham gomas e não notas. Imaginem...e agora, o dado mais importante...antes do acusado ter entrado no banco havia 100 notas, quando saiu ficaram 10...e durante o tempo que lá esteve o sistema não registou nenhuma transacção. Ilógico? A defesa de Godinho Lopes pensa que não e irá até aos tribunais (mais uma manobra que arrastará o clube para discutir tudo isto na praça pública) provar isso mesmo. Boa sorte e recomendações de um intenso trabalho de recolha de provas abonatórias...elas fazem falta.

O Sporting bom.

Se, e tenho muita fé que será esse o caso, a Selecção Portuguesa de Sub21 vencer o Euro na final de hoje, isso significará um acréscimo de valor a qualquer que seja o atleta deste plantel e muito maior para os que são habitualmente utilizados. Esgaio, Tobias, Oliveira, William, João Mário, Mané e Iuri Medeiros sobem muitos degraus na tabela do futebol mundial, não sendo de menosprezar a importância dessa capitalização já nesta época, quer na luta pela titularidade ou numa venda (não desejável) mas possível. A missão de Jesus fica duplamente mais difícil e facilitada. Vai ser mais fácil apostar em qualquer um deles, será mais complicado votar ao banco qualquer um deles. Em todo o caso ter 7 jogadores valorizados de uma só vez num curto espaço de tempo é uma excelente notícia...sempre. Antes que se chegue à situação de Cedric e Carrillo...valerá a pena investir nestes rapazes.

SL


segunda-feira, 29 de junho de 2015

O fim da inocência

Os brandos costumes com que se resume muitos outros defeitos aqui no burgo não são coisas de elogiar. São problemas e têm de ser atacados.

Depois da AG de ontem à tarde, o assunto tornou-se ainda mais evidente. Fica muito difícil ouvir e reflectir nos números da auditoria e ainda defender a relativização das consequências ou mesmo a falibilidade do ser humano. Tantas e tantas recomendações de calma e ponderação, união da família sportinguista, acusações de caça às bruxas por parte desta direcção tornam-se ridículas face à realidade do que foi a operação financeira (já nem falo da desportiva) e patrimonial durante quase 20 anos no Sporting.

Todos estamos sujeito a avaliação, crítica, punição em casos de erro grave e de forma continuada. Godinho Lopes ou compadres estarão a um nível superior desta condição? Porque é Sportinguista? Não deveria como apaixonado do clube ter sido o primeiro a dizer não, a ser contra, a tentar contrariar as fábulas imobiliárias com que se enganaram os sportinguistas? Não terá existido uma parte muito grande de "homem de negócios" e "parceiro de confiança" do mundo da elite do compadrio económico que falou mais alto (durante mais de 10 anos) que o seu amor ao clube?

Não terá Godinho Lopes achado que o poder de influência dos seus comparsas, a tão famigerada "ala do croquete" seria sempre capaz de adiar o conhecimento público de tantos actos de absurda tomada de decisão, até ao dia em que um magnata árabe qualquer compraria as dívidas contraídas?

Eu penso que sim. Isso é grave. Isso não merece perdão face à sua filiação clubística...merece ainda maior castigo!

Poderia eu ser perdoado por agredir um cidadão, apenas porque sou sportinguista como ele?
Poderia eu ser perdoado por entrar em Alvalade e roubar uma caixa registradora, apenas porque sou sportinguista?
Poderia eu ser perdoado por deixar o clube na falência e ainda assim tudo fazer para que quem me sucedeu tivesse todas as hipóteses de falhar?
Poderia eu ser perdoado por não comparecer junto dos meus pares a defender a verdade e preferir ir defender a mentiras da Doyen contra o meu clube?

A expulsão de Godinho Lopes de sócio não me faz sentir vingado, feliz ou ressarcido. Faz-me sentir envergonhado por ter gente deste calibre na história do meu clube e por ter, eu também, sido conivente durante anos com o Projecto Roquette. Eu que "não tenho onde cair morto" andei a bater palmas e defender a mestria da governação leonina, enquanto os nobres barrigudos andavam a encher os bolsos uns aos outros e a rir da estupidez e voluntarismo de labregos como eu.

A expulsão de Godinho Lopes é a expulsão da inocência de todos os Sportinguistas.

SL

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ritmos e Calculismo

Acompanho com muita atenção a prestação dos nossos Sub21 no Campeonato da Europa na República Checa. É uma excelente equipa, não tem tantos "craques" como outras no passado, mas em compensação é muito mais nivelada e em todos os sectores há soluções que nunca mais acabam.
Podemos agradecer esta melhoria da qualidade global dos atletas a duas coisas: 1- As equipas B trouxeram um espaço competitivo que torna possível jogadores de 18, 19, 20 anos somarem muitas horas de jogo; 2- Clubes como o Sporting, Vitória e mais recentemente o Carnide e o porto têm feito um esforço para descobrir bons atletas, e ainda mais recente, com intenção real de os canalizar até à primeira equipa ou perto disso.

Esta é uma equipa com hipóteses reais de vencer o troféu. Até agora foi mais competente, madura e inteligente que os seus opositores. Pecará no excesso de calculismo e temporização das jogadas, mas essa é uma instrução táctica que nenhuma equipa pode por em prática sem a ordem expressa do seu treinador. Espero porém que Rui Jorge explique aos atletas que agora, a eliminar, a contenção do esforço é secundária. Quem sofrer um golo e não marcar, é eliminado. E seria uma pena que um conjunto tão bem artilhado de valor, ficasse apeado por uma questão táctica. Recomendo ao jovem treinador que ponha os olhos no Mundial Sub20 terminado à poucos dias, e veja com olhos de ver como é que uma equipa Sérvia, joga toda a fase a eliminar com prolongamentos, e mesmo assim vence o troféu.

A capacidade física é superável, o talento e o empenho, não.

SL

terça-feira, 23 de junho de 2015

Expectativas muito Altas

A expectativa

Quando ouço alguns analistas da praça antever a AG de dia 28 de Junho, dá-me a sensação (é mais certeza) que não entendem nada do que é o Sporting. O prazer que têm em perspectivar um autêntico banho de sangue à revelia é por demais evidente. Não sei se aguardam que sócios destruam a sala, pratiquem actos públicos de auto-mutilação ou que queimem bonecos aparentados com a figura de avôzinho de Godinho Lopes, mas a expectativa deles é bastante mais dramática que a minha.

Como sempre no Sporting, imperará a calma e o bom senso. Haverá muitas notas de insatisfação, revolta e vergonha alheia, mais nada. Até porque o que pode ser feito, está a ser feito...aos sócios resta ouvir, compreender e dimensionar o quão graves foram as mentiras sobre eles impostas quanto à gestão passada do clube. Aos sócios resta avaliar, para notas futuras, o tamanho da sua não vigilância durante alguns mandatos, fiados que estavam (eu incluo-me) na aura de "financeiros" dos quadros dessas épocas.

Confesso que a previsão de uma AG atribulada ou de ânimos exaltados seria o melhor "cartaz" para algumas colectividades da cidade, mas não é o género do Sporting. Isso não se deve a comportamentos elitistas, não é um atestado de superioridade alguma, somos apenas assim. E nem a gravidade (muito elevada diga-se) de alguns factos que irão ser tornados públicos alterará o que costumam ser (e houve períodos bem mais caóticos que este) as nossas reuniões de sócios.

Convém também lembrar aos mais distraídos, que os media, agora tão vigilantes quanto aos actos de gestão de BdC (onde até as meras possibilidades são escrutinadas e minuciosamente investigadas) tiveram zero de interesse e zero de apelo "à informação pública" noutros mandatos, ajudando a perpetuar a referida "aura" de magníficos gestores que facilitaram à brava que os actos revelados no próximo Domingo pudessem ser praticados na completa impunidade.

A culpa será sempre dos sócios. A responsabilidade será sempre dos sócios. As consequências pesaram sempre sobre os sócios. Mas tudo isso não isenta ninguém de entender as razões por detrás de tanta complacência num caso e tanta disponibilidade noutros.

A minha expectativa

Não me dou com ninguém que tenha pertencido ao establishment do chamado "croquete". Reconheço-os como ex-dirigentes ou figuras públicas, apenas isso. Não me parece que os "notáveis" sejam a expressão do que é o Sporting, são mesmo uma parte ínfima do todo. A minha leitura do que sucedeu durante os mandatos pós-Sousa Cintra e pré BdC é muito simples:

- O Sporting, como aliás todas as instituições de Portugal, foi administrado por uma suposta "nata inteligente", os "bons gestores", tudo gente de "boas" famílias e reputação imaculada. O problema foi a convicção desta minoria representativa do que valiam e de que nunca seriam responsabilizados por pior que fosse a sua eficácia. No clube, como em todos os cargos que ocuparam em carrossel de cunhas...o resultado foi desastroso e em muitos casos reveladores de compadrio, favorecimento de terceiros e distribuição ilícita de cargos e contratos. Qual foi a empresa portuguesa de dimensão considerável que não teve disto durante a década de 90 e até quase ao final da seguinte.

- A má gestão, a incompetência, a irresponsabilidade, o compromisso zero com o sucesso e total com os grandes salários e altos padrões de vida...são o mapa do que sempre foram as nossas elites - arrogantemente interessadas no seu próprio bem e totalmente descomprometidas com a "causa pública". Se é verdade que os exemplos vêm de cima, o que sucedeu (e ainda sucede) com o desenvolvimento do nosso país explica-se em meia dúzia de linhas sobre umas boas dezenas de famílias.

- O que governou o Sporting ou foi a ideia mais burguesa e preguiçosa de "fascismo" ou uma espécie de comunismo hiper-elitista. Em todos os casos a "autoridade" sobre o conhecimento do que era o Sporting e o desporto revelou-se drasticamente incompetente. A herança é pesada. O mesmo não poderei dizer das consciências dos que a deixaram. E mal. A imprensa apela cinicamente à moderação e esbater dos dedos acusatórios. Eu entendo. O Sporting é uma parte de Portugal, os Sportinguistas são uma parte dos Portugueses. Era o que mais faltava...era a maioria desfavorecida colocar em cheque a reputação da minoria "bem nascida"

- Não irá acontecer nenhuma revolução. Mas devia. A revolução do mérito. A revolução da justiça. A revolução do direito a ter as mesmas oportunidades. A revolução da responsabilidade ao gerir o que é de todos. A revolução de ter brio no que se faz e orgulho em prestar contas. A revolução de amar um emblema. Muitas destas revoluções estão por fazer. No país e no Sporting.

SL

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Keeping it simple

Parece que já "transpirou" qualquer coisa dos novos equipamentos do Sporting para a próxima época. A Cortina Verde publicou uma imagem muito curiosa, que até prova em contrário, terá de ser considerada real. O meu comentário é ainda prévio, mas gosto especialmente de nenhum dos equipamentos ter vestígios de "viagem na maionese" ou seja, de criatividade inútil.

Os equipamentos podem ter inovações, flutuação de cores, formas e decorações infinitas, mas no essencial devem respeitar o código definido nos estatutos do clube. A camisola alternativa, também denominada "do patrocinador" é onde se pode e deve recriar um património diferente. Isso não quer dizer que se tenha carta branca para perder a cabeça (ver por exemplo equipamento alternativo do porto) e descaracterizar a identidade do Sporting.

Manter a coisa simples, é o melhor caminho a definir. Mudar só para ter o máximo de diferenças possível e assim "arrumar" com a versão anterior, não é o objectivo. O objectivo deverá ser sempre produzir equipamentos esteticamente apelativos, vestuário que uma equipa de futebol não pareça ridícula a usar em campo.

SL

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A Tragédia de Danilo

O sensacionalismo dos media diz-nos que devemos ajoelhar-nos no chão e chorar. Chorar muito agarrados à desilusão atroz pela não vinda de Danilo. O Sporting estava interessado no jogador? Sim, parece que sim. Perdeu o concurso para o porto? Sim, também parece que é essa a história. Mas e…depois? Perdemos o quê exactamente.

Bom, para começar, Danilo não é (ainda) um jogador que garanta um lugar no onze titular do Sporting. Pelo menos enquanto lá estiverem William e Adrien. Reconheço que seria um óptimo sucessor do primeiro, se e quando este sair, mas não parece que seja fácil articular um meio-campo com ambos (William e Danilo) em campo. Em jogos que será natural alguma contenção, pode até ser uma estratégia curiosa, mas quantas dessas partidas disputa o Sporting por ano? 4 ou 5?

Depois o valor. Entre 3 e 4 milhões é puxadinho. E convínhamos, o Danilo não é aquele jogador que, principalmente nos jogos mais difíceis "encha" o campo. O que o Sporting e o porto perseguem ainda é por agora uma promessa. Não que o jogador não tenha já provado o que vale, mas ainda está por provar a teoria de que num "grande" o seu jogo será exponenciado e aí sim, justificaria os tais 3 ou 4 milhões. 

Mas fora o drama, a tragédia…o horror, existem muitos Danilos. Uns melhores, outros piores, uns mais caros outros mais acessíveis, o que não vai haver de certeza é tempo perdido, exactamente o que acontece a quem seguir por estes dias os 24 programas diários que analisam o desporto português. Pura perda de tempo, especulação sem rumo, dramaturgia de cordel e copo 3.

Na verdade a única tragédia é a do próprio jogador. Um atleta que não pode escolher o clube que escolheu representar, com um passe repartido por dezenas de pessoas, todas elas apostadas em lucrar com o seu talento e vingar a "independência" do Sporting. A maior tragédia de Danilo é não se poder juntar ao Sporting Clube de Portugal. As outras são remediáveis.


SL

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Acordos de Cavalheiros

A julgar pela pouca-vergonha que foi a não utilização de jogadores emprestados (alguns nem isso, já nem vínculo tinham) frente às equipas de onde partiram, depois de tantas figuras ilustres se terem pronunciado sobre a injustificável ética que estes factos exibiram, todos aguardariam uma ampla reflexão e debate sobre a matéria. Era o mínimo que a FPF e/ou a Liga deviam ter promovido. Nada.
O problema não existe aparentemente.

Das duas uma, ou Fernando Gomes fez um super acordo de cavalheiros que anulou todos os anteriores ou a pouca-vergonha vai continuar intacta. Para quem ama verdadeiramente o futebol e o faz desejando que seja uma actividade transparente e justa...esta questão não é paralela nem menor. Para quem só vê caminho para subir degraus de notoriedade, manter o status quo político e económico e alimentar os "patrões" das negociatas e lobbies...realmente este problema é insignificante e eu aposto que entra no rol de assuntos que são debatidos há mais de 25 anos e que nunca foram verdadeiramente considerados pelas entidades que tutelam o nosso desporto-rei.

Até que uma nova-ordem entenda de uma vez por todas que o que faz mal a um clube, faz mal a todos, que não há uma justiça para pequenos e outra para os grandes, que não há espectáculo sem honestidade e confiança sem isenção...então o podre começa mesmo por cima e será por aí que toda a revolução terá de começar. Sim, até lá a questão dos empréstimos não irá ser abordada, tal como as restantes 245 que fazem do futebol de Portugal uma eterna palhaçada, o reino dos chico-espertos, o clube de cavalheiros da desonestidade.

SL