segunda-feira, 29 de abril de 2013

Uma equipa tipo

Foi o que nunca houve com Domingos (um cardápio de lesões impressionante), Sá Pinto (fez demasiadas experiências) e Vercauteren (desconhecimento dos jogadores). Mas Jesualdo está a montar um esquema principal, onde os atletas podem conhecer-se e criar familiaridade de movimentos. Até as substituições já obedecem a critérios tácticos e não ao "bota lá na frente" do passado.

Patrício na baliza. Laterais com Miguel Lopes e Joãozinho. Ilori e Rojo a centrais. Dier e Rinaudo no meio campo. À sua frente André Martins. Nas alas Bruma e Capel e no centro do ataque Wolfswinkel. Pode-se discutir a validade de ter dois médios como Dier e Rinaudo em campo, mas o argentino está a impor-se também como um construtor, um facilitador de triângulos que deixa as missões de resguardo ao inglês.

Tenho também algumas dúvidas na continuação de Joãozinho como titular na esquerda. No futuro será um jogador muito caro para o Sporting. Sinceramente, pelos valores actuais do mercado e para o que podemos pagar...1 milhão de euros é uma pequena exorbitância.

Se o Sporting apostar definitivamente no crescimento deste elenco. Terá sempre de encontrar um lateral esquerdo que dê mais garantias...Jefferson do Estoril parece-me interessante, mas não sei o valor que pode custar ao clube. A substituição de Wolfswinkel parece-me mais complicada. Ghilas não está ao mesmo nível, embora tê-lo no plantel pode salvar muitos jogos.

Tenho dúvidas que no mercado de jogadores baratos ou em fim de contrato, se encontre um ponta de lança eficaz ao ponto de fazer esquecer a estupidez da venda de Wolfs e se for para vir um marreta ao género de muitos que passaram por Alvalade nos últimos anos...então aí amigos prefiro que dêem uma oportunidade ao Betinho ou ao Rubio (ou aos dois). A verdade é que os miúdos têm -se dado muito bem.

Agora vou dar uma dica extra: alguém dá uma palavrinha a outro alguém no Sporting sobre o Liça e Vitória (Estoril) e Candeias (Nacional), é que estão mesmo no "ponto".

SL

domingo, 28 de abril de 2013

A arte de saber vender

Saber vender é uma arte. Não é preciso aldrabar, viciar, especular...para fazer uma boa venda. É só preciso valorizar e esperar o momento ideal para vender. Assim que se ouviu o apito para o final do Sporting-Nacional e depois de mais uma sofrida, mas saborosa vitória...ainda o relvado não tinha arrefecido e já ouvia sócios a falar deste e daquele que tinham de ser vendidos para ir buscar aquele e o outro.

Isto de querer despachar jogadores, seja por corte de custos ou corte na casaca, não me parece uma forma inteligente de ajudar o clube a vender um activo. Pegando no exemplo de Adrien, é fácil entender que não tem sido um jogador influente nos últimos jogos. Não é o único. Se formos honestos podemos até ver que jogadores que há bem pouco tempo também levavam com o rótulo de "vende-se" diariamente no jornais, hoje são "para ficar". André Martins, Rojo, Capel ou Wolfswinkel...só provam que saber esperar traz resultados.

Adrien, Viola, Miguel Lopes, Labyad têm levado com tudo em cima e ainda não caíram no goto dos "especialistas". Há uns dias escrevi aqui elogiando Viola, sublinhando que tinha qualidades suficientes para lhe ser dada hipótese de provar o seu valor. Mas enquanto não vier um "doutorado" do olho destacar o argentino, muita gente vai achar que não serve para o Sporting.

Acho o mesmo de Adrien. Ter um bom plantel, por vezes tem destas coisas. Um bom jogador, perde posição e tem de saber esperar que o "comboio" passe outra vez, aprendendo com quem joga e dando o máximo nos treinos. Os mesmos que andavam a encher a boca para dizer que o Adrien não devia ter sido emprestado à Académica, que o treinador o ia levar para o Porto, que lá ia o Pinto da Costa ganhar um jogador às nossas custas...são os mesmos que dizem agora que o Adrien não vale nada e que tem de ser vendido.

Eu penso o contrário. Se o jogador quer sair, que peça ao seu agente que apresente propostas ao clube...ninguém o proíbe. Agora se é mais um para acabar vendido por valores ridículos (Liedson, Postiga, Carriço, Pereirinha) negócios palermas (Izmailov, Djaló) ou empréstimos inúteis (Gelson, Elias, Onyewu, Pranjic)...então mais vale estar sossegado e esperar que uma época mais conseguida faça valorizar o atleta.

Para se vender bem, tem de se mostrar que o "artigo" é valioso, resistindo inteligentemente às primeiras "sondagens" do mercado. É um risco, mas vale a pena. Adrien num contexto de venda necessária pode render 4 ou 5 milhões. Numa venda valorizada, 7 ou 8. Mas numa "colocação" no mercado depois de uma época destas, não dará mais do que 1.5 ou 2 milhões. Mas mantenho o que penso, salvo proposta decente, o Sporting não deve vender jogadores razoáveis, com margem de progressão e nome no mercado, antes que se valorizem. E muitas vezes não se valorizam nas primeiras épocas. Isto dos Quaresmas, Nanis e Cristianos viciou-nos a forma de ver a evolução de um jogador da formação.

Lembro-me de carreiras como Jorge Costa ou Raul Meireles, jogadores que não explodiram nas primeiras épocas seniores, e penso se no Sporting não tinham passado pelo que passa hoje o Adrien, Pergunto-me se o Sporting tinha esperado e encaixado com estes jogadores. Pergunto-me se o Sporting tinha sabido vender estes jogadores.

Vamos lá refrear os instintos de corretor de bolsa e dar tempo aos treinadores e diretores para decidirem sobre quando e como devem ser vendidos os jogadores. Por mim o Adrien, o Viola e o Labyad continuavam na boa. O que não parece às vezes é.

SL

Um ataque muito soft

Uma equipa não ganha jogos se não marcar golos. E ganha ainda menos se não marcar mais que o adversário. Este Sporting é o melhor exemplo de uma equipa "arrumadinha", com algum fio de jogo (talvez a melhor contribuição de Jesualdo) mas que nunca conseguiu ultrapassar um pequeno problema que é o pior no futebol. Não é uma equipa com apetite pelo golo.

A culpa não será de nenhum jogador em particular, mas nenhum deles está isento de fazer parte do problema. Estes são são alguns sintomas da coisa:

1- Wolfswinkel não se fixa na área;
2- Não há um avançado capaz de criar dupla com o holandês na frente de ataque;
3- Os alas Jeffren e Carrilho, Capel não fizeram uma boa época;
4- Os médios (Rinaudo, Adrien, Elias, Schaars, André Martins) tiveram pouca chegada na área e fazem poucos golos;
5- As bolas paradas atacantes têm muito pouca produtividade.

Haverá outras razões, mas estas são as mais preocupantes. Se pensarmos que o clube não vai poder resolver nenhuma com cheques chorudos, então só resta esperar que este treinador tenha tempo para na próxima época se dedicar a resolve-los. Com uma dificuldade extra: o principal goleador não estará no plantel.

Apenas um conselho a Bruno de Carvalho: vender para poupar em salários vai retirar alguns dos jogadores mais influentes ao plantel. Mais entradas e saídas. Vai-se outra equipa ao ar. Monta-se uma nova. Outra equipa com ainda menos referências que a última.

Não será este o plano a evitar? Não será uma equipa sem Patricio, Capel, Wolfswinkel e Rojo o melhor plano para por o Sporting definitivamente fora do acesso às competições europeias? É que este ano com eles, estamos pendurados por um fio na luta pelo 5º lugar.

SL

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Os sacrificios

Que o Sporting tem de reformular muito as suas despesas fixas...toda a gente sabe...e aceita. Mas na hora de ir por a coisa em prática....ofendem-se todas as virgens, agarradas a uma ideia de que existem coisas de que não pode prescindir. Então querem cortar onde? Na água? No gás? No leite e no pão?

Falemos verdade. Manuel Fernandes, ex-capitão, ex-treinador e agora ex-dirigente. É um símbolo? É. Mas tem de ser necessariamente ser assalariado do Sporting? Terá o Sporting de pagar todas as gratidões em contratos de trabalho? Não será mais respeitável ser honesto e prescindir dos seus serviços a tempo, admitindo em segredo que os seus serviços não são fundamentais (numa lógica de poucas pessoas em acumulação de tarefas) antes de ter de justificar em praça pública o porquê das opções?

Vi muita gente a querer um presidente que cortasse a direito com as "mamas" dentro clube. Um presidente firme e sem contemplações. Durou pouco. Agora indignam-se e contestam, escandalizam-se como se o clube "tivesse" a obrigação de fabricar dinheiro para pagar a todos as figuras simpáticas do clube.

Tenho em minha casa apenas duas camisas do scp autografadas. É o meu micro-museu. Mas é para mim um tesouro. Uma tem o autografo de Manuel Fernandes, a outra de Oceano. MF foi o meu ídolo de infância, o jogador com que mais me identifiquei. Mas não acho que as estátuas em Alvalade tenham se ser feitas de cheques.

Sacrifício é algo que se faz contra vontade e os sportinguistas devem ser honestos com o próprio clube. Não podem querer ter um clube sustentável sem apoiarem reduções de custos. Servir de bloqueio na opinião pública só dará mais força à CS para ir minando o trabalho e legitimidade desta direcção para fazer o que tem de ser feito. Vão ser cometidos erros? Sim. Ninguém é perfeito. Pinto da Costa e LFV cometem-nos às pazadas. Alguém os esmiuça?...

SL

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Não é amarelo, mas verde

Já rebobinei várias vezes a cassete do modelo "Dortmund" para ilustrar o que pode o Sporting fazer no futuro, sabendo que terá sempre muito menos graveto que os rivais para estourar. Mas continua a haver muitos "talibans" das analogias, muitos "gestapos" das comparações que não entendem que nunca disse que o Sporting pode ser o Dortmund, mas um Dortmund à nossa realidade portuguesa.

1/ Nas terras da amiga Merkel, o maior clube (nº de adeptos) é sabido que é o Bayern, seguido bem de longe por Shalke04, Hamburg, Estugarda, Eintracht Frankfurt e Leverkussen...o Dortmund estará equiparado neste momento aos clássicos Colónia, Nuremberg, Werder Bremen e Monchengladbach numa terceira linha. Mas em troféus ganhos, fruto de uma meia década de 90 de sonho, é o segundo clube a par do mítico Nuremberg. Tudo somado, numa análise assim à comentador da CMTV, o Dortmund será a seguir a Bayern, Estugarda e Hamburg o clube com mais cartel e potencial gerador de conquistas desportivas.

É preciso ver...e isto na Alemanha tem muita importância....que a cidade de Dortmund tem cerca de 600 mil habitantes, sendo a oitava, atrás de Berlim, Hamburgo, Munich, Colónia, Frankfurt, Estugarda e Dusseldorf, sendo que as primeiras 4 são bem mais "gordas". Portanto o Borrussia de Dortmund tem muitos big boys à sua volta, muitos com mais capacidade financeira, mais historial, mais apoios.

2/ O Dortmund que vemos agora a vomitar força desportiva e a dar goleadas a Reais Madrids não vem de um passado recente de estabilidade financeira e rigor de gestão desportiva. Bem pelo contrário. Esteve no red line da "falência" várias vezes e pasme-se...chegou a receber 2 milhões de euros de empréstimo do Bayern para pagar salários, vender o estádio, ficar a míseros pontos da descida de divisão e outras coisas porreiras.

Fartos de palhaçada e porque os nossos amigos Hans e Boris não aturam merdas durante muito tempo. Ao Dortmund foi dada uma escolha: ou formavam jogadores reduzindo custos ou iam pastar para os verdes campos onde se passeiam os Boavistas lá do sítio. E foi só quando Klopp (no futebol é sempre assim, mais do que grandes modelos...é preciso é um bom treinador) tomou conta da coisa (o rapaz está lá desde Maio de 2008) que o "abelhas" começaram a levantar cabeça.

Sem dinheiro, mas com jeitinho para escolher jogadores e muito, muito trabalho na prospecção de talentos...saber esperar e acreditar. Isto foi o caminho do Dortmund. Esse é o único caminho do Sporting. Há é muita gente que ainda não se apercebeu.

3/ Não podemos ser o Dortmund? Não queria. Mas porque não assumir que é um bom exemplo a seguir? Porque não ambicionar a mais do que o eterno 3 lugar? Está longe? Está...mas ficará muito mais perto cada vez que mais sportinguistas acreditem que é possível ser um clube organizado, metódico, inteligente, bem gerido e liderado. É possível ser grande. Muito grande. Mesmo sem dinheiro.

SL

A esperança do futebol

Ontem o Dortmund deu ao futebol mundial muito que pensar. O que o clube alemão fez ao Real Madrid foi antes de mais nada uma lição. Simplesmente os alemães quiseram mais que os espanhóis.Quiseram, correram, marimbaram-se para os nomes, abanaram mas não caíram com o golo fora e deram um pontapé monumental no favoritismo no palmarés, massa salarial e prestígio do maior clube do mundo.

Na terça já o germano-galáctico Bayern tinha imposto a sua força perante um Barça apático e atordoado. No final da 1ª mão das meias-finais uma coisa sai claro: os alemães não tiveram medo do "lobo mau". Essa atitude destemida, só está ao nível de quem os tem no sítio e joga as suas armas na sua máxima potência. Tanto Barça como Real foram atropelados. Não por talento, táctica ou superioridade física, mas por mentalidade. Apesar de também terem grandes jogadores nas suas equipas...os alemães foram acima de tudo forças colectivas, com um animo de atacar a baliza invulgar...não tiveram o mínimo respeito pela fina flor de Ronaldos, Messis, Iniestas, Ozils e afins...e deram-se bem.

Qualquer um pode tirar as elações que quiser. Haverá quem ache que os alemães quebraram a hegemonia espanhola no topo do Olimpo do futebol, quem diga que os plantéis de Dortmund estão invulgarmente apetrechados de super-jogadores, quem pense que foi apenas uma nuance do jogo.
Eu penso que estarão todos longe da questão. Longe de entender que o futebol sempre foi um jogo de equipa, onde um conjunto vale mais do que um individualidade por maior que seja.

Essa é a esperança de um futebol amarrado por uma espiral de dinheiro, monopólios, ditaduras económicas, marketing e assimetrias desportivas. Terça e Quarta-feira, o establishment do futebol europeu tremeu. A UEFA deve ter jogado as mãos à cabeça...a tão desejada final Barça-Real foi às urtigas...e em seu lugar um clássico germânico, que até por contextos políticos será uma poeira de audiências no mundo.

E a esperança não se esgota na Liga dos Campeões. Pode ser emulada onde se quiser. Uma boa equipa que confie, que se dedique a 100%, que não se amedronte, pode derrotar outra apesar de favoritismos, apesar de das estrelas e orçamentos.

A esperança do Sporting também pode ser essa. Estabilidade, caminho, coragem, confiar nas armas que se têm, dar tempo para um projecto crescer. Lewandosky dificilmente chegará ao nível de um Higuain, Goetze não será nunca um Kaka, Kuba não é nem será nunca um Ronaldo...mas isso não equivale a nada...o passado e o futuro não se jogam em 90 minutos de futebol...e no presente é quem corre mais, luta e confia que se aproxima da glória.

SL

terça-feira, 23 de abril de 2013

Os Dispensáveis

Se alguém olhasse para o organograma do Sporting antes de criticar as "fugas" jornalísticas de hoje, iria ter mais ou menos a ideia brilhante de que há demasiados lugares de estacionamento ocupados por dirigentes. Menciono os lugares de estacionamento, porque isso é o que tenho mesmo garantido que alguns "dirigentes" leoninos ocupam.

Não culpo quem lá está, pois foram convidados, aliciados, alguns até serviram de validação ao poder das últimas direções. Mas o Sporting deve ter menos bocas a alimentar e ainda menos a mandar e todos sabem que a SAD leonina parece mais um autocarro de excursões do que uma empresa eficiente e organizada. Graças a uma ideia peregrina, uma súbita "limpeza étnica" que criou a ideia de que todos os ex-jogadores eram uma espécie de anjos intocáveis de virtude e sabedoria.

Meus caros tesos Sportinguistas, não quero apontar o dedo a ninguém, mas há muita "mobília" em Alvalade. Muita gravata a passear sem destino, muitas mãos nos bolsos com horas a fio a "bater papo". Não são apenas ex-jogadores. Há de tudo: ex-empresários; ex-políticos; ex-professores. Muitos estarão a mais e saindo a teta gorda dos bancos, já não faz sentido nenhum manter a "corte" de Luis Godinho Lopes.

Para quem vê nisto falta de capacidade para unir os sportinguistas, uma palavrinha:

- No Sporting não deve estar quem merece, deve estar quem faz falta. Trabalhar no Sporting não é um plano de reforma, nem sequer um prémio de carreira. A união nasce da partilha de objectivos, não na partilha de recursos.

SL