quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O vendedor de gelados

Vi algumas partes da entrevista de Vieira e do que vi, confirmo sempre a ideia de que o presidente do Carnide é um dos maiores vendedores de gelados para a testa que já existiram. Entende-se a linha de comunicação a milhas e é sempre a mesma: o seu clube desde que é presidido por si é um superclube, uma máquina de fazer dinheiro e ganhar títulos. Não há dúvidas, não há erros (há uns equívocos menores que servem de piada de caserna), não há problemas.

O pior é que muito pouco do que diz é comprovado pela realidade. Adorei a passagem em que na SAD, é tudo gerido e planificado a 3 anos e que a estrutura é tão boa que só não prevê o futuro porque não lhe apetece. Foi ao ponto de afirmar que está tudo tão previsto que se Rui Vitória saísse hoje, em 24 horas outro ocuparia o lugar...e também que quando RV entrou todos os problemas se resolviam num ápice para espanto e conforto do ex-vimaranense. Pois...mas o que todos viram foi uma lentidão enorme para haver consenso à volta do nome de Rui Vitória, com LFV a hesitar bastante entre ele e Marco Silva e uma gestão da entrada do treinador tão ineficiente que muitos adeptos se manifestaram impacientes com tamanha demora a parir...um rato.

Convém também lembrar que nos primeiros tempos de RV e com os maus resultados a surgir logo numa pré-época mal planificada, a tal SAD supereficiente deixou literalmente o treinador a apanhar papéis, sozinho, a torrar na opinião pública e mais tarde a pouco mais de um mau resultado do despedimento (salvo em Guimarães e Braga da maneira que se viu). Esta contradição entre os factos e o que diz Vieira foi, nas partes que vi, constante. E sem surpresas concluo que o mérito de Vieira é o que sempre foi, a arte de se vender a si próprio.

SL

PS - O painel escolhido pela TVI para questionar Vieira foi uma inovação inútil. Como nomear uma comissão de alcoólicos para inspeccionar uma adega. Inútil.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Em defesa de

No início do Verão, andava a Seleção Nacional a penar na fase de grupos do Europeu, quando muitos sportinguistas diziam o que toda a gente podia ver: Moutinho e André Gomes completamente fora de forma. Danilo a tremer perante a responsabilidade de comandar a defesa. Alguns jornalistas depressa catalogaram estes adeptos de facciosos. 
Fernando Santos cedeu, apostou em William e Adrien e Portugal sagrou-se campeão. Hoje, depois de mais uma exibição pobre, onde nenhum jogador se exibiu quer pela positiva, quer pela negativa…caem os adeptos encarnados em cima de William e a imprensa cavalga na onda. Tudo porque num dos golos é o jogador mais próximo do suiço que haveria de rematar para o 2º golo. Duvido que a responsabilidade fosse “apenas” de William e duvido ainda mais que Fernando Santos atribua a culpa da nossa derrota a este jogador. Mas o que isso interessa, quando se pode tentar “queimar” em lume brando um dos principais jogadores Portugueses da actualidade? Como resistir ao enxovalhanço de um dos principais jogadores do Sporting? Os muitos opinadores que se afirmaram “chocados” com as críticas dirigidas a Moutinho e André Gomes, resolveram silenciar-se hoje e deixar passar o facciosismo impune. E sabem que mais? Ainda bem.
A resposta de William será dada dentro de campo e na esteira das excelentes exibições que tem feito neste princípio de época. Não tenho a menor dúvida que quer em Alvalade no Sábado quer em Madrid, veremos dois jogões do nosso “Sir”. Porque a ele não lhe deram a titularidade do Sporting porque não havia mais ninguém, a ele não lhe deram a camisola das Quinas por “apadrinhamento”, a ele não lhe fazem crónicas épicas em retorno de favores e exclusivos. A William Carvalho não lhe deram nada do que ele é hoje. Tudo foi conquistado sendo um dos mais corre, mais luta, mais apoia os colegas dentro de campo. O seu estilo discreto, a sua ausência de rastas e botas às cores, não “chama” por fama e não lhe garante os holofotes dos carnavais dos media. Por isso tantos como eu são seus fãs incondicionais. Por isso é que é um verdadeiro “Sir”.


SL

O jogador de bisca

Nuno Saraiva, o nosso Director de Comunicação estará bem longe da ambição desmedida e sanguinária de Frank Underwood, mas neste "jogo de vendas" que é o futebol português pode ser essencial ter uma astúcia fora do normal para conseguir mover as peças de xadrez ao mesmo tempo que se evitam pazadas de carvão.
A missão não é simples, nem fácil, mas a pouco e pouco começamos a distinguir uma forma de agir e reagir que suplanta tudo o que já tivemos no clube e que pela primeira vez parece estar à altura da máquina de desinformação intoxicante do Benfica.

No "Castelo" do Sporting chegou pois a hora de jogar novas "Cartas", de salvaguardar os Ases e os Reis para outro tipo de jogos, deixando o Nuno para destrunfar as cartas menores desta bisca interminável que é o espaço mediático do futebol nacional. Para já, nota 10. 

SL

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O retrato oposto de um desejo


Dizem que Vieira é um construtor, há quem diga que é um gestor apaixonado, outros dizem que é um exímio vendedor, mas poucos realçam a capacidade que tem em trazer ruído e tremenda especulação ao meio onde opera. Não há sequer forma de reconstituir o seu passado, de tão "corroídas" que ficam as fontes que podiam testemunhar as várias fases do passado do actual presidente do Benfica.
Se existem pessoas com arte para fazer inimigos, Luis Filipe Vieira tem um engenho especial em fazer dos seus críticos gente silenciada e até alguns, publicamente, seus defensores. E se existe uma herança do "Orelhas" no futebol, eu destaco, sem qualquer tipo de dúvida, a enorme capacidade de tornar, um dos clubes de que se fez sócio - o Benfica, numa enorme central de esquemas e negociatas. Muitos negócios são estranhos, muitos são estúpidos, e alguns são até ofensivos para quem acompanha o futebol. Mas tal como na sua vida pessoal, Vieira soube tecer uma rede de lacaios e guardas de honra, uns de gravata, outros de soqueira, mas todos prontos a saltar à mínima crítica interna, prontos a silenciar, por todas as maneiras e feitios (contam-se histórias muito graves ao longos dos mandatos em que o clube nada ganhava) algum adepto encarnado que não estivesse com vontade de "comer gelados com a testa".
Pode-se até dizer que o Entreposto de Mendes ou a Central de Carvão em que se transformou o Benfica moderno escapa a qualquer escrutínio, quer nos media, quer nos adeptos, quer nas autoridades ou entidades moderadoras.
Vieira compra, Vieira silencia, Vieira conquista. É um modelo linear, que não cria atritos, "açucarado" até, mas caro. E aqui é onde o Império do "Kaddafi dos Pneus" tem a sua face mais visível. Tanto nos seus negócios, como na presidência do clube, o "modelo" de Vieira consome rios de dinheiro. Rios que o próprio não faz intenção de pagar e que amigos nos lugares certos lhe garantiram uma imunidade peculiar e rios que o clube faz desaguar no oceano de dívidas que se reflectem num passivo que está longe sequer de estar "consolidado" (ou seja, conhecido na sua plenitude).
Todos assobiam para o ar. Uns de ignorância, que se fiam nos resultados (ai…o amigo Vítor) outros por compadrio, mas todos fazem de conta que a era de Vieira é um tempo de sol generoso e que será lembrado como um paraíso financeiro, um oásis de títulos. Eu tenho tantas, mas tantas certezas, que tal como o carvão que os seus lacaios (lembrem-se, bem pagos para isso) mandam diariamente…existe muita matéria capaz de vir no futuro a soterrar o legado do "Senhor 600" debaixo das mesmas brasas com que se dedicou a servir o Sporting, o seu grande opositor, a única instituição em que os seus euros de "compromisso" valem menos que nadas.
A "estrutura", essa grande conquista Vieirista (um copy & paste da cúpula portista) ficará para sempre ligada aos colinhos, malas, vouchers e outros expedientes de viciação clara. O modus operandi à Benfica é tão sustentável como a grandeza desta figura, que tarde ou cedo será atropelada pela derrocada inevitável de uma pirâmide de "friends in high places" que não hesitará em querer fazer-se acompanhar do Grande Líder na hora da humilhação. Nessa altura, todo o passado e presente que se glorifica sem olhar a meios, ajustará contas com um futuro bastante mais cinzento que os dourados jantares entre o "amigo" Luís e a infindável corte de avençados que agora associamos à powerhouse de sacanice e vigarice chamada Sport Lisboa e Benfica.

Peço encarecidamente aos responsáveis do meu clube, o Sporting Clube de Portugal que invistam tudo no combate a esta figura e aos seus compadres e nada na mimetização dos seus recursos ou métodos. A podridão não se combate com mais podridão, a corrupção nunca será derrotada por outro tipo de corrupção. O que não desejo é o alastramento do vírus de que enferma o nosso clube rival, pois o que não alarma os adeptos desse emblema era o suficiente para matar de desgosto o meu orgulho sportinguista.

SL

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Carvão e Paradoxos

Escolham o paradoxo mais merdoso no meio desta tentativa de carvão lampiónico:

1. As transcrições divulgadas dos emails estão mais recortadas que a pasta secreta dos submarinos que um gordo qualquer deixou no ex-Ministério do Portas;
2. O empresário do Rafa, o gajo andava a dar fruta aos árbitros em nome do Pinto da Costa, é nesta hora dos melhores aliados do Vieira;
3. As conversas são supostamente entre dois advogados, mas houve um que cagou para a confidencialidade dos assuntos do seu cliente e despachou tudo para quem? Exacto….o Correio da Manhã, que curiosamente era dado como “non grato” pelo Carrnide…(major mind fuck);
4. Nisto surge o blogueiro/estafeta do Carnide (vulgo Hugo Gil) a divulgar e-mails com confissões dadas ao próprio pelo sub-director do Record Nuno Farinha;
5. O Huguinho também aproveitou para acusar o Director de Comunicação de fazer montagens de emails no seu post de facebook, quando era exactamente esse o ponto que Nuno Saraiva queria provar;
6. Mais tarde o próprio Nuno Farinha desmente o “estafeta”, só faltando dar-lhe os parabéns pelo engano;
7. Rafa é assumidamente adepto do Sporting e já toda a gente (desde o gato do Vieira até à fruta do Araújo) veio dizer que preferiu o Carnide menos ele próprio;
8. A imprensa passou 3 dias a glorificar a compra do Rafa e no entanto o Sporting fez mal em tentar adquirir o jogador (esta é para génios do mind fuck);
9. O Porto que desistiu do jogador, que literalmente deixou PdC sentado à espera para almoçar…não reage ao valente par de cornos que lhe foi posto pelo grande amigo “fruteiro” António Araújo;
10. E assim Rafa ruma ao Carnide, aumentando as soluções nas alas que estavam tão carenciadas, já que "só" contavam com Sálvio, Pizzi, Cervi, Guedes, Carrillo e Zivkovic.

É escolher…não é fácil.
SL

RafaGate

Não faço a mínima ideia se o Sporting tentou contratar Rafa. Mas se o fez, ou melhor, se o tentou…fez muitíssimo bem. Rafa é um bom jogador que mesmo com valores super inflacionados é garantia de boas exibições e de rentabilização segura. Ao contratar Rafa, o Carnide não errou, acho mesmo que foi dos investimentos mais seguros que fez nas últimas épocas, portanto criticar o Sporting por tentar o mesmo, é absolutamente estúpido.
Convém lembrar aos mais desatentos que, deixar um clube, seja ele qual for, atingir uma posição de controle do mercado interno é contraproducente para os seus rivais. Felizmente o Sporting já entendeu isso e espero que o continue a disputar todos os “Rafas” que atinjam a maturidade e o valor para ingressar num grande. Não o ter conseguido é pena, mas com Markovic a questão foi claramente relativizada.
Até podemos discutir se Rafa será tão bom investimento para o Carnide como seria para o Porto e para o Sporting (porque a chegada de Rafa vai obrigar a um dos muitos alas a desvalorizar) mas confesso que pimenta no cu dos outros é mesmo refresco para mim e se Rafa quis tanto ir para aquele clube, que seja feliz.
Se o empresário do jogador quer lamber as botas a Vieira e publicar emails, verdadeiros ou falsos, a atitude é reveladora dos valores dessa gente e congratulo-me desde já desses representantes ficarem longe de Alvalade.


SL

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Comparar o incomparável

Para compreender melhor o que foi ganho e o que foi perdido neste mercado de Verão, nada como comparar o incomparável, ou seja, tentar encontrar paridades em coisas que são impares. O exercício é estéril e não deve ser válido para mais do que apenas compreender o potencial do plantel, o seu sucesso ou insucesso é impossível de medir, e como tal, acho uma parvoíce dizer frases como "com esta equipa vamos ser campeões" ou mesmo "ficámos muito mais fortes que o ano passado". A verdade é que o futuro ninguém sabe, só o presente.

Beto

Como suplente, Beto é um garantia. Com o seu currículo, será expectável que caso seja chamado a jogo, desempenhe bem o suficiente para um clube com as aspirações do Sporting.

Douglas

Foi eliminado o excesso de soluções da segunda metade da época anterior e ainda assim melhorada a qualidade. Douglas pode nem ser melhor que um Ewerton em grande forma, o pior é que esse estado foi coisa rara na época passada.

Petrovic

São mais as dúvidas que as certezas quanto ao que pode dar à equipa este ano. Lento e indeciso, tudo o que um 6 ou um 8 não pode ser. Pode jogar a central, mas seria mesmo para 6 que JJ o pediu e mesmo por isso, aguardamos todos o que o treino pode cultivar neste médio. Barato não foi.

Bruno Paulista

Antes da chegada de Elias e a hipótese de saída de Adrien, podíamos antever alguma margem para o brasileiro evoluir próximo da titularidade e até parece merecê-la. Poderoso, esforçado, raçudo, tem muita coisa ali para ser trabalhada. A minha dúvida é se JJ vai ter o tempo e a disponibilidade para melhorar as lacunas que tem. Excesso de impetuosidade, leituras de jogo erráticas, posicionamento...enfim. Mas está ali um diamante, muito em bruto, mas está.


Elias

Embora mais velho, Elias é hoje um jogador mais focado no jogo, mais experiente e a prova é que era o capitão fixo do Corinthians e em algumas partidas o capitão da seleção do Brasil. Menos veloz, mais fiável. Menos poderoso, mais ponderado. Não é o mesmo que o João Mário, mas num bom plano pode ser uma óptima solução. Terá a vantagem de poder substituir (e porque não dizê-lo, pressionar) Adrien.

Meli

Não era uma certeza na Argentina e terá o mesmo estatuto em Portugal. Tem bom toque de bola, bom passe e genica. O que parece estar ainda longe do ponto é a sua movimentação e sentido táctico, algo que JJ saberá trabalhar como ninguém. Perde espaço com a chegada de Elias, mas convém não perder de vista a capacidade do jogador em adaptar-se ao modelo do nosso treinador, os argentinos são reconhecidamente atletas que apreendem o modelo competitivo europeu com bastante sucesso.

Markovic

A verdade é que nem B.Ruiz, nem Gélson, nem Bruno César, nem Campbell são alas. Um jogador como este sérvio pode e deve aproveitar o regresso a Portugal para recuperar todo o tempo perdido que mediou a sua saída do Benfica até agora. Talento tem de sobra, terá mesmo que mudar a sua atitude para ganhar toda a competitividade necessária para vingar na alta roda do futebol moderno. Defender mais e sobretudo melhor, ser mais agressivo sem bola, dedicar-se mais ao jogo, este é o TPC que JJ lhe dará ao longo do ano. Se o realizar bem, temos um grande reforço. Não será fácil sentar Gélson, Ruiz ou mesmo Campbell.


Campbell

Um jogador vibrante, que abana o jogo até à raiz. Ao lado ou atrás do atacante é onde gosta de jogar, mas também dá muito a uma equipa na ala. A única pena que tenho é de não ter chegado com uma opção de compra. É que valorizar um atleta destes e vê-lo sair é bom no presente e um desgosto previsível no futuro.

A.Ruiz

Na cabeça de JJ, seria o companheiro ideal de Slimani que resolveria a saída de Teo. Poder de fogo, bom passe, capacidade para percorrer espaços diagonais na área. Ruiz tem tudo isso, mas falta-lhe capacidade de explosão e muita resistência atlética. Na argentina podia disfarçar, mas na Europa, com uma velocidade de jogo bastante diferente, a conversa é mesmo diferente. Já perdeu peso, faltará ganhar velocidade e melhorar o arranque. Com a chegada de Markovic, B.Ruiz é empurrado para outras zonas e A.Ruiz que se esmere...isso está em rota de colisão com a sua afirmação na equipa. Já para não falar de Campbell, que chegando muito mais tarde ameaça (e de que maneira) a mesma posição.

Bas Dost

A primeira coisa a entender é: não é Slimani. Quem ficar à espera de um avançado com a mesma disponibilidade e entrega do argelino que esqueça. Este holandês não é de correrias, mas compensará essa lacuna com uma capacidade de aproveitar as oportunidades bastante elevada. Se Slimani precisava de 2 oportunidades para concretizar 1 vez (embora às vezes ambas eram sacadas individualmente), Bas Dost não se atrapalha, mete-a lá dentro. Pré-Slimani era a melhor coisa que nos podia calhar como ponta de lança, mas agora é talvez um switch entre avançados com características distintas. Ainda assim, óptima solução.

Castaignos e André

É um mistério o que estes dois avançados podem valer no Sporting. Primeiro que tudo, serão à partida segundas linhas. Depois há que entender que ambos vêm de momentos de forma algo apagados. Por fim, são ambos bastante móveis, rápidos e com experiência suficiente para não temer a competição portuguesa.

Spalvis

Dificilmente poderia ter um início mais azarado. No primeiro jogo particular lesiona-se com longa paragem. Uma época perdida e dizem muitos uma pena, pois seria uma óptima solução para evoluir este ano. Avançado completo que precisará talvez até da equipa B, para ficar pronto para lutar pela permanência no plantel na temporada seguinte.

SL