Patricio, Cedric, Esgaio, Tobias, William, Adrien, J.Mário, A.Martins, Wallyson, Mané, Podence são 11 jogadores vindos da "formação" leonina que já actuaram esta época na primeira equipa e que prometem voltar a entrar mais algumas vezes até ao começo do Verão.
11 jogadores. Imaginando que numa temporada o nº médio de jogadores usados será à volta de 27/28...o Sporting consegue neste momento suprir mais de 1/3 das suas necessidades totais de atletas na 1ª equipa através de jogadores que não precisou de contratar. Isto não é importante. É decisivo.
Se olharmos ao 11 mais utilizado, esta percentagem sobe bastante (Patricio, Cedric, William, Adrien, J.Mário e por vezes Mané) chegando a mais de 50%. A imprensa não fará headlines com esta temática, mas não nos podemos deixar de orgulhar de um clube que "consegue" não ter de comprar mais de metade dos jogadores com que habitualmente entra em campo. A teoria vigente diz que o Sporting só recorre a este largo contingente de jogadores "caseiros" devido à sua incapacidade de comprar melhor, dividindo-se esta explicação quanto à causa - uns alegam azelhice nas compras, outros defendem que a falta de verbas impossibilita outro cenário. Nenhum expert, ainda, teve a coragem de apresentar a "culpa" dos bons jogadores que o Sporting de facto produz. E quanto a mim, essa pode muito bem ser provada olhando, por exemplo, a origem dos jogadores da nossa selecção.
Tenho a certeza que muitas vezes não damos o devido crédito aos "santos da nossa casa". Esperamos milagres em cada miúdo de 19 anos e algumas vezes não poupamos as críticas que guardamos aos argentinos e brasileiros, apenas porque somos infinitamente mais pequenos a julgar o que somos do que muitos outros povos do mundo. Esta é uma situação que piorou e muito, desde que se cavalgou nos elogios constantes à mestria de benfica e porto de contratar plantéis aos fundos e empresários com participações directas ou indirectas nessas SADs. Em qualquer jornada da nossa Liga, as grandes estrelas portuguesas brilham, mas fora dos "predilectos" dos media...e essa factura é elevadíssima, paga com a desvalorização de todo e qualquer jogador jovem que chega à I Liga.
Os discursos vazios do presidente do benfica que promete mundos, mas na verdade usa os fundos. As parábolas dos "jogadores à porto" que dependem actualmente de um rapaz com 17 anos. As jogadas de empresários que vendem miraculosamente por dezenas de milhões atletas suplentes com meia-dúzia de jogos na 1ª equipa. Toda esta problemática do excesso de jogadores estrangeiros nas equipas profissionais portuguesas parece, sinceramente, uma doença de que ninguém quer falar, um assunto tabu que convém passar em rodapé enquanto perdemos anos de juízo a relacionar a intensidade dos abraços de BdC a Marco Silva ou a considerar pela enésima vez para onde irá JJ no final de cada época.
Sim, somos todos bastante manipulados. Mas uns mais do que outros. Dá-me muitas vezes vontade de recorrer a terapias de choque ancestrais quando ouço assobios de sportinguistas a jogadores que desde que dão pontapés na bola, o fazem com a nossa camisola. Não consigo deixar de imaginar nesses precisos momentos, os directores dos jornais desportivos, sentados nas suas redações a salivar com o "circo"...a sério malta...já chega. Ainda ontem, Mané foi visado por umas quantas comadres que imagino serem mais ou menos as mesmas que no passado assobiaram Nani ou Patricio. Podia dizer-vos até as bancadas e os sectores de onde surgem normalmente...mas acho pouco relevante valorizar a estupidez de bater nas próprias pernas porque elas não correm mais depressa.
Fica a reflexão e a conclusão, só minha aqui mas penso que partilhada por muitos, de que:
Devemos orgulhar-nos muito mais do que fabricamos dentro de portas do que o que compramos fora delas e isso obriga-nos, também, a ter muito mais paciência com os erros ou prestar poucos ouvidos ao "coro de velhas" com tesão eterna por estrangeiros que infelizmente domina a nossa praça jornalística.
SL