quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Devolver Bebés é uma vergonha

Antes que se comecem a inventar argumentos...

"O treinador do Benfica, Jorge Jesus, pretende contar com Bebé na próxima época. O técnico encarnado é um admirador confesso das qualidades do extremo português e acredita que poderá ajudar Bebé a evoluir em 2014/2015.

Segundo avança o diário Record esta terça-feira, Benfica e Manchester United têm a transferência de Bebé para a Luz "praticamente acertada", com os "red devils" a garantirem uma percentagem numa futura venda do jogador português.

O referido jornal acrescenta ainda que foi Jorge Jesus a pedir a contratação de Bebé ao colosso inglês por entender que Bebé tem um enorme potencial para desenvolver.

Em 2010, o Manchester United pagou 10 milhões de euros ao Vitória de Guimarães pela contratação de Bebé. O jogador aufere atualmente um salário acessível aos cofres do Benfica e a transferência pode estar para breve uma vez que Bebé termina contrato com o Manchester United na próxima temporada"

15 de Julho, in Sapo Desporto

SL

Quanto mais os assobiam, mais eu gosto deles

Patricio, Cedric, Esgaio, Tobias, William, Adrien, J.Mário, A.Martins, Wallyson, Mané, Podence são 11 jogadores vindos da "formação" leonina que já actuaram esta época na primeira equipa e que prometem voltar a entrar mais algumas vezes até ao começo do Verão.
11 jogadores. Imaginando que numa temporada o nº médio de jogadores usados será à volta de 27/28...o Sporting consegue neste momento suprir mais de 1/3 das suas necessidades totais de atletas na 1ª equipa através de jogadores que não precisou de contratar. Isto não é importante. É decisivo.

Se olharmos ao 11 mais utilizado, esta percentagem sobe bastante (Patricio, Cedric, William, Adrien, J.Mário e por vezes Mané) chegando a mais de 50%. A imprensa não fará headlines com esta temática, mas não nos podemos deixar de orgulhar de um clube que "consegue" não ter de comprar mais de metade dos jogadores com que habitualmente entra em campo. A teoria vigente diz que o Sporting só recorre a este largo contingente de jogadores "caseiros" devido à sua incapacidade de comprar melhor, dividindo-se esta explicação quanto à causa - uns alegam azelhice nas compras, outros defendem que a falta de verbas impossibilita outro cenário. Nenhum expert, ainda, teve a coragem de apresentar a "culpa" dos bons jogadores que o Sporting de facto produz. E quanto a mim, essa pode muito bem ser provada olhando, por exemplo, a origem dos jogadores da nossa selecção.

Tenho a certeza que muitas vezes não damos o devido crédito aos "santos da nossa casa". Esperamos milagres em cada miúdo de 19 anos e algumas vezes não poupamos as críticas que guardamos aos argentinos e brasileiros, apenas porque somos infinitamente mais pequenos a julgar o que somos do que muitos outros povos do mundo. Esta é uma situação que piorou e muito, desde que se cavalgou nos elogios constantes à mestria de benfica e porto de contratar plantéis aos fundos e empresários com participações directas ou indirectas nessas SADs. Em qualquer jornada da nossa Liga, as grandes estrelas portuguesas brilham, mas fora dos "predilectos" dos media...e essa factura é elevadíssima, paga com a desvalorização de todo e qualquer jogador jovem que chega à I Liga.

Os discursos vazios do presidente do benfica que promete mundos, mas na verdade usa os fundos. As parábolas dos "jogadores à porto" que dependem actualmente de um rapaz com 17 anos. As jogadas de empresários que vendem miraculosamente por dezenas de milhões atletas suplentes com meia-dúzia de jogos na 1ª equipa. Toda esta problemática do excesso de jogadores estrangeiros nas equipas profissionais portuguesas parece, sinceramente, uma doença de que ninguém quer falar, um assunto tabu que convém passar em rodapé enquanto perdemos anos de juízo a relacionar a intensidade dos abraços de BdC a Marco Silva ou a considerar pela enésima vez para onde irá JJ no final de cada época.

Sim, somos todos bastante manipulados. Mas uns mais do que outros. Dá-me muitas vezes vontade de recorrer a terapias de choque ancestrais quando ouço assobios de sportinguistas a jogadores que desde que dão pontapés na bola, o fazem com a nossa camisola. Não consigo deixar de imaginar nesses precisos momentos, os directores dos jornais desportivos, sentados nas suas redações a salivar com o "circo"...a sério malta...já chega. Ainda ontem, Mané foi visado por umas quantas comadres que imagino serem mais ou menos as mesmas que no passado assobiaram Nani ou Patricio. Podia dizer-vos até as bancadas e os sectores de onde surgem normalmente...mas acho pouco relevante valorizar a estupidez de bater nas próprias pernas porque elas não correm mais depressa.

Fica a reflexão e a conclusão, só minha aqui mas penso que partilhada por muitos, de que:
Devemos orgulhar-nos muito mais do que fabricamos dentro de portas do que o que compramos fora delas e isso obriga-nos, também, a ter muito mais paciência com os erros ou prestar poucos ouvidos ao "coro de velhas" com tesão eterna por estrangeiros que infelizmente domina a nossa praça jornalística.

SL

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Valorizar lá fora cá dentro

Tem sido uma aprendizagem esta "aventura" das equipas B. A maior lição que retirei tem sido a evidência que para a maior parte dos jovens jogadores formados na Academia do Sporting ela...não chega. Ou melhor, o problema não é a Academia, a Equipa B ou o facto de continuarem a vestir de leão ao peito. O problema chama-se II Liga.

Ao contrário do que eu e muita gente pensou, este patamar intermédio de competição entre os juniores e a I Liga, não tem amadurecido os atletas (salvo algumas excepções) ao ponto de poderem ser vistos pelo treinador da equipa A como "reforços". Simplesmente deixam de ser jovens talentos inexperientes e passam a ser jovens talentos com experiência de II Liga.

É claro que para jogadores de excepcional talento, excepcional ambição e excepcional capacidade de trabalho isso pode até ser suficiente para elevarem-se acima dos restantes e reservarem para si um lugar no mais alto escalão profissional, mas verdade seja dita, não surgem Ronaldos, Figos ou Patrícios com essa regularidade no Sporting, como não surgem em lado algum do planeta.

A solução é óbvia. Alguns atletas depois de 1 ou 2 anos de equipa B têm de facto de evoluir fora do clube e serem emprestados. Mas nesta matéria também tem de ser considerado o passado desta operação, que podemos classificar de insatisfatório (para ser moderado) sem prejuízo de ofender alguém. O Sporting, como em muitas outras gestões desportivas, normalmente empresta mal. Empresta o jogador errado, ao clube errado, no campeonato errado. O resultado é tremendo: nem clube, nem jogador beneficiam da opção, queimando reputação e...muito dinheiro.

Longe de mim querer ensinar a "missa aos padres", mas sempre vi um empréstimo de um jogador jovem como uma verdadeira ciência. Desde logo terão sempre de ser considerados os seguintes pontos:

1- As características que o jogador detém e as que se desejam ver melhoradas - Nenhum clube joga da mesma forma, nenhuma liga estrangeira é exactamente igual. Existem cenários competitivos em que impera a condição física e combatividade, noutros prevalecem os aspectos técnicos e em alguns a interpretação táctica - um jogador em cada liga evoluirá conforme a sua capacidade nata e terá mais hipóteses de sucesso de "encaixar" ou ser progressivamente "encaixado" se o estilo de jogo se adequar à identificação ou contraste com o seu talento.

2- Quem é o treinador? Quem é o presidente? - Vezes demais o Sporting colocou jovens promessas sob as ordens de técnicos que pelo seu passado ou ambição futura, olharam sempre com maus olhos valorizar activos do Sporting. Nunca se deveria emprestar um atleta sem "obter" garantias mínimas (dadas pelo treinador ou presidente desse clube) que há interesse objectivo em colocar o activo em competição. Esta pode ser uma tarefa difícil, mas se for realizado atempadamente e regularmente um diálogo com alguns clubes "alvo" espalhados pelo globo, depois de alguns anos de "idas e vindas" o modelo gerará mais sucessos que insucessos. Casos como a relação criada com o Cercle de Brugge são exemplares e claramente uma bitola a seguir e repetir.

3- Its all about the contract - Vivemos na era em que a "palavra" vale pouco. O contracto vale tudo. Neste campo o Sporting tem de ser o primeiro a valorizar os seus activos e nenhum jogador deveria ser emprestado sem que o seu contracto de empréstimo salvaguardasse condições mínimas que justifiquem a transferência. Se um qualquer clube não aceitar incluir uma cláusula que accione uma compensação financeira caso o atleta não compita acima de um nº de jogos mínimos...provavelmente não estará assim tão interessado no seu empréstimo.

Haverá muitos outros detalhes a considerar, nomeadamente a opção do próprio jogador e a do empresário, mas neste post essas são contas que ficarão para outro outro rosário. O que gostaria que de facto acontecesse era elevar as taxas de sucesso e evolução dos jogadores que emprestamos...casos como André Martins são exemplares (pela negativa)e não podemos ter uma das melhores Academias do mundo e emprestar os jogadores daí provenientes sem qualquer rigor e método, desvalorizando e de que maneira a sua importância futura e valor de mercado.

SL

O melhor avançado a jogar em Portugal

Podia deixar passar esta, mas não devo.
A bazófia benfiquista é um dos "sais" do meu sentido de comédia. E tenho de agradecer a Helder Cristovão por ter inaugurado mais uma página brilhante do que acabo de dizer. Atentem à frase:

"Rui Fonte é o melhor avançado a actuar em Portugal"

Não...não é o melhor avançado jovem a actuar em Portugal, o melhor avançado de equipas B a actuar em Portugal ou mesmo o melhor avançado português a actuar no Benfica...não, foi exactamente como a transcrição acima colocada.

Numa única frase, o treinador da equipa B chama de burros...o seu treinador Jorge Jesus, o seleccionador nacional Fernando Santos e todos os scouts, managers, treinadores e jornalistas mundiais. Além disso coloca uma pressão sobre o jovem jogador que é capaz...digo eu...não ser a coisa mais indicada quando já se tem um treinador da equipa A que não é o mais paciente com jogadores tugas. Bravo Helder. Obrigado.

SL


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os estados de alma

Há um ano atrás, depois de concluída a 15ª jornada, o benfica tinha 36 pts, o Sporting 34 e o porto 33. Agora, o benfica soma 40 (+4), o porto 34 (+1) e o Sporting 30 (-4). Ou seja, a diferença deste ano para o ano passado é um ou outro favor que certos tipos fizeram aos encarnados, os mesmos que num ou noutro jogo prejudicaram o Sporting. Há certas "verdades" que são facilmente esquecidas e que geram estados de alma muito convenientes.

Quem abrir um jornal ou assistir a um programa de paineleiros vai achar que o benfica tem uma super-equipa, que maravilha os adeptos e que transpira saúde futebolística a cada jogo que passa. Vai também imaginar que o porto é uma máquina de triturar adversários, que só aguarda pacientemente um deslize do rival encarnado para não dar hipótese a mais ninguém até ao final da liga. Vai finalmente tirar de letra que o Sporting passeia mau jogo, vive em crise permanente e que vai ter dificuldade em apurar-se para a Liga Europa.

Porém, a meu ver a realidade é bem distinta. Tivesse o Sporting a "sorte" de algumas arbitragens que calharam a encarnados em jogos mais complicados...e a tabela podia ser bem diferente. Não só a tabela, mas os tais estados de alma, que se constroem valorizando os pontos ganhos, mas esquecendo aquilo que as equipas mostram dentro de campo. Saiba o Sporting encontrar estabilidade na conquista dos 3 pontos, jornada a jornada e pode ser que ainda se alterem muitas das "certezas" que agora todos têm, mas ninguém as diz. 

As verdades de gaveta valem zero. Lá para Maio vão ser expressas...mas aí, para mim, valem ainda menos que zero. Quando JJ ajoelhou no dragão, choveram centenas de iluminados que "sempre viram" e "sempre disseram". Foi tão mentira nessa altura como agora. Eu tenho olhos na cara e digo há meses que o benfas não joga puto. O meu estado de alma não reflecte só o que diz a tabela de classificação. Que fique registado.

SL



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A culpa é do mordomo?

Este show José Eduardo Vs Marco Silva é hiper deprimente. É que não consigo entender quem é o Alien e quem é o Predator, ou pior, nenhum parece um Kramer. O mordomo quanto mais fala mais enterra...mas não é a ele...é aos outros dois (presidente e treinador) do qual diz ser 1) o mensageiro e 2) o "bandido".

Entendo o "italian job", não entendo o amadorismo dos argumentos e da "causa".. Resultado, uma cartada completamente ao lado que só "queimou" o feiticeiro. Agora a única coisa que resta fazer é aproveitar o blackout e rezar para que a equipa ganhe jogos...pode ser que lá para final de Março já ninguém se lembre disto. Era o que eu faria..."lay low for a while"

SL

Faltam

É inegável que o Sporting tem um excelente lote de jogadores no seu plantel. Porventura faltará uma grande promessa e um líder experiente. Dava jeito um Wonderkid para agitar as bancadas (Mane e Gauld são demasiado conscientes e contidos, falta-lhes a ambição de predomínio, a fome dos holofotes e capas).
Costuma dizer-se que a experiência é um posto, mas se olharmos aos 11 habituais titulares apenas Nani, Patrício e Adrien têm mais de 4 épocas de futebol de primeira linha europeia...entendemos a dificuldade de exigir calma e temporização do esforço a uma equipa a quem pediram que lute por títulos...não é fácil.
Mesmo assim o Sporting aposta na valorização de muitos activos simultaneamente. Particularmente na defesa (Cedric, Jonathan,  Oliveira,  Sarr, Esgaio) têm dividido com Maurício, Jefferson e Lopes os gastos da época. A questão é que tem sido por demais evidente que Maurício (supostamente o referencial de maturidade) não manteve o nível a que nos habituou ao lado de Rojo, o que pode provar duas coisas: que Maurício não pode ser o piloto da defesa e que a existir uma saída não terá de ser ele o sacrificado...afinal ou que se procura é um substituto de Rojo e não de Maurício.
Todos estão de acordo que falta ao Sporting um central experiente e quem sou eu para dizer o contrário. Espero que o departamento financeiro também partilhe desta opinião, é que centrais bons e experientes não andam aí a saltar para os braços dos clubes portugueses. Marcano e César que o digam.

SL