segunda-feira, 14 de julho de 2014

A estranha transferência de Adrian










Eu sei que a imprensa desportiva também vive de alimentar o imaginário "cor-de-rosa" dos adeptos, mas há limites. A compra de Adrian pelos tripeiros é o caso típico da história mal contada. Mais uma.

Supostamente os tripeiros compraram um internacional espanhol e um dos melhores jogadores do Atl.Madrid, recentemente campeão de Espanha, por 11 milhões…equivalentes a 60% do passe. Ora, é tudo muito lindo, ah e tal que grande contratação dos tripeiros, ena…que compra…e coiso e tal…mas antes de começarmos todos a fazer vénias à sagacidade do scouting andrade…convém olhar para os porquês destas coisas e fazer as perguntas que ninguém parece achar pertinentes.

1- Porque raio quer o Atl.Madrid vender um jogador regular, do agrado dos fãs, que nem sequer é do meio da tabela da folha salarial no plantel?
2- Porque o vendem os colchoneros antes mesmo do Mundial acabar, Adrian é um jogador com visibilidade que ao longo de Julho e Agosto podia ir valorizando no mercado?
3- Porque escolhe Adrian o porto, quando podia facilmente ser colocado num clube inglês ou italiano (é um avançado com um boa técnica individual que encaixaria em muitas equipas) ganhando muito mais e tendo outro destaque (uma vez que procura afirmar-se na "Roja")?
4- Sendo que o Atlético vê David Villa, Diego e Diego Costa sair e apenas Mandzukic  e Correa entrar, não seria lógico manter um jogador de passaporte comunitário, experiente e capaz de fazer as alas?
5- A explicação de algumas dificuldades financeiras do clube madrileno não esbarra imediatamente com a compra de Oblak e outros que estão na calha?
6- Os tripeiros darem 11 milhões por 60% do passe de um jogador de 27 anos…equivale a mais de 18 milhões de valor final. Admitamos que faz duas épocas brilhantes… aos 29 anos valerá 25 milhões (o suficiente para pagar o passe e os ordenados)?

Depois destas questões, quem não achar este negócio, no mínimo, estranho…


SL

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Epístola de Paulo aos Tugas














"Sei bem que o último Mundial não correu de feição. Mas na minha forma de ver, temos todas as condições para continuar a ser uma selecção de topo. Senão vejamos: Temos o melhor jogador do mundo que quando chega a hora das grandes competições ou está lesionado ou fora de forma. Temos também um lote de jogadores titulares a passar os 31/32 anos. Os que não estão "velhos" estão a cair de estatuto nos grandes clubes europeus. Temos toda uma geração de jovens ignorados pelos grandes portugueses a sair para os clubes de meio da tabela da Grécia, Croácia, Turquia, Hungria e afins. 

O clube que mais jogadores dá à Selecção é continuamente ignorado, o que eu também concordo que seja feito. Era o que faltava facilitarem-me a tarefa. Eu bem sei que se tivesse Adrien, Cedric, Mané ou até mesmo A.Martins teríamos feito outra competição no Brasil, mas eu não sou como o otário do Van Gaal que chamou os miúdos do Feyenoord…onde que já se viu? Jogadores promissores a brilhar e a anunciar uma continuidade e um futuro brilhante…pfff…isso é coisa de holandeses, o que é que eles entendem de futebol?!

Todos vocês sabem que eu gosto de adversidade. Adoro. Sou louco por coisas que prometem fracasso. Visto a minha sandaloca, o meu capacete e empunhando a minha espada…sou um Espartano lindo e musculoso, de cabelo liso e lustroso a dar naifadas a torto e a direito…destruindo todas as impossibilidades com a minha teimosia e capacidade de não me comprometer com nada nem ninguém. Bom, isso até nem é verdade. O meu Jorge Mendes é a excepção. Aquele gajo leva-me sempre na cantiga. Mas o que é que vocês querem…ele tem aqueles jogadores que me põem louco…passo-me com o Eder ou o Rafa…passo-me e pronto. 

O que eu vos prometo, Portugal do meu Coração, é muita casmurrice e zero de imaginação. Não irei pelos caminhos óbvios que seriam começar já a pressionar os grandes clubes para darem espaço aos jovens mais promissores, fazendo uma protecção sem quartel à sua afirmação de modo a não ter de ir a um Europeu com os suplentes do SC Braga ou os titulares do Moreirense. Isso não. Seguirei o caminho que sempre percorri - o mais difícil. Vou convocar o Helder Postiga e o Raul Meireles até que a morte nos separe. Não me censurem. São os meus meninos. Dei-lhes de mamar quando tinham fome. Coloquei-os a jogar quando não jogavam. Recuperei-os quando estavam lesionados. Dei-lhes o meu peito para chorar e ouvi as suas lamúrias de casas de praia na Riviera por pagar e amantes de 19 anos a pedir novos Audis. Como posso falhar-lhes? Ah…e como posso recusar os pedidos do Mendes…sou apenas um homem, sou de carne e osso e que peca, peca, peca…como é que era música?

Confiem em mim tugas. O meu passado mostra-vos como será o vosso futuro. Fui para o Oviedo e pastei ovelhas naquelas serras como ninguém. Cheguei a ser o capitão dos pastores e voltei para o rival do clube do meu coração. Ganhei uns segundos lugares e uns segundos lugares. Também cheguei a ficar em segundo lugar sendo que fiquei várias vezes em segundo lugar, já para não falar dos segundos lugares que obtive. Quando todos se fartaram dos segundos lugares, os jogadores amuaram e eu fui despedido. Com todo este sucesso…era apenas óbvio que ascendesse ao maior cargo disponível para um treinador num país. O meu Jorge deu uma ajuda, mas a verdade é que era eu ou o Manuel José. Sendo que o Manuel é um chato que só ia por a jogar quem merecesse…que piada é que isso tem…a FPF (que cheguei a insultar repetidamente e agora são os meus amigos no Google +) escolheu-me a mim. 

E acredito que essa escolha continua a fazer sentido. Porque há jogadores em fim de carreira a precisar de mim. Porque há movimentações de dinheiro e jogadores que usam a Selecção a precisar de mim. Porque há um clube de 6 milhões que precisa de chamar os seus putos em toda a linha de Selecções jovens a precisar de mim. Porque toda a podridão apadrinhada pelo Godinho e o Mendes continuam a precisar de mim. Porque o excesso de rigor onde não faz falta e a ausência de criatividade continuam a precisar de mim. Eu estarei aqui. No meu posto. Com a minha espada…enorme…enorme..ó como é enorme! Aqui…dar o peito às balas…como sempre fiz. A cair fuzilado pelo talento e inovação dos outros…como sempre. A insistir numa ideia até que a própria ideia me mande um sms a desistir. 

Acreditem em mim Portugueses. Mais quatro anos? Sim? Bora? Ok? Vamos nessa? 
Não responderam…? Não faz mal. Estou habituado. Quando pergunto ao presidente da FPF se isso não é favorecer muito o porto e o benfica…ele também não me responde. 

Muito Obrigado,

Paulo, o sempre vosso"

SL

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Já. Aqui. Agora

Não há ser vivo no planeta que não saiba que ontem o Brasil perdeu 7-1 com a Alemanha. Mas à maior parte escapa a verdadeira razão da derrota. Não sou como muitos analistas que crucificam Scolari…isso é demasiado fácil. Para mim a culpa, se é que isso serve para alguma coisa, mora em muitas pessoas…mas aponto o dedo ao festival mediático com a maior das certezas.

O Brasil dos Sócrates, Carecas, Zicos, Pelés, Ronaldos e Garrinchas é uma memória. A fantasia, ritmo morno compensado com uma colagem da bola nos pés, a arte do futebol bonito que levada a sério fazia com que os adversários parassem para ver jogar…acabou. O Brasil de hoje é semelhante a qualquer equipa que tem os seus melhores jogadores a jogar desde os 17 ou 18 anos na Europa. Talvez 50% dos craques emergentes tenham até entrado pela porta Russa ou Ucraniana. As estepes eslavas não dão bons tubos de ensaio.

A lógica do dinheiro está a mudar os equilibros do futebol. Não defendo a estagnação nem status quo. Tudo é mutável agora, como foi no passado. Mas convém aderir à evolução e não decidir fechar os olhos e optar por uma marginalidade hipócrita, como provaram os media brasileiros e demais comentadores espalhados pelo mundo. Não houve um jogo do Brasil que alguém pudesse dizer ou apelidar de conseguido. Mas a bem da festa e do estatuto…considerou-se possível que uma equipa tão fraca e presa por arames de motivação bafienta conseguisse ou merecesse ser considerada favorita.

Como se o estatuto de favorito fosse inato apenas pelo currículo e papel de anfitrião. Na nova ordem do futebol ser candidato ou favorito conta zero. É o trabalho técnico, a preparação física, o talento e tomates dos jogadores que entram em campo que dão vitórias. Quem viu uma Costa Rica, uma Argélia ou um Chile neste campeonato percebeu uma coisa - os milhões de habitantes, as taças ganhas, as grandes vedetas valem muito pouco na hora de enfrentar jogos a doer numa fase da época mais que adiantada.

O que vale? Jogar jogo a jogo, disfarçando fraquezas e valorizando as qualidades. Não há papões…apenas adversários que se podem preparar pior ou melhor que nós. Que se podem motivar mais ou menos que nós. 

Esta volta planetária serve para falar do meu Sporting e a sua convivência com o estatuto que lhe querem dar.

No ano passado previam-nos um 5º ou 6º lugar. Ficámos em 2º e sem as cobardias alheias do costume, podíamos até ter lutado ombro a ombro pelo título. Os jogadores provaram que são bem melhores do que nos queriam convencer e o treinador provou ter a inteligência para entender que essa realidade teria de ser balançada com um compromisso faseado, jogo-a-jogo. Ele como muitos sabem que na nova ordem deste futebol, o balanço é tudo. Os jogadores não são tão diferentes uns dos outros, as equipas não são tão diferentes umas das outras…os resultados não são o consumar de algo, são o ponto de partida de tudo.

Este ano, depois de auto assumir o estatuto de candidato (que na verdade é um mero exercício linguistico) todos encaram com normalidade que desta vez, há condições para algo mais que o apuramento para a Champions. A limpeza de talento dos adversários ajuda a que este cenário seja ainda mais consensual.

Mas há um perigo: levar esse estatuto demasiado a sério. Como o Brasil, a Espanha, Portugal, a Itália puderam comprovar neste Mundial faltou talento, força e engenho para serem de facto grandes equipas. Faltou só…o tudo. São os resultados que vão ditar a ordem do futebol português e não as camisolas ou emblemas. Resultados só possíveis com os jogadores super concentrados, bem preparados fisicamente e sem "manias" que os distraiam da forte possibilidade de perder qualquer jogo se não empregarem 100% do que sabem a favor de uma táctica colectiva inteligente.


O que chocou 200 milhões de brasileiros é o mesmo que chocou uma Itália num amigável empatado em casa com o Luxemburgo…é o novo futebol. Sem lastro, sem memória, onde o agora é tudo. És candidato? Prova-o. Agora.

SL

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Merdas Soltas

Oblak, Maxi, Siquera, Garay, A.Gomes, Fejsa, Enzo, Markovic, Rodrigo, Gaitan e Cardoso. Do 11 titular sobra o Luisão, o Salvio e o Lima...porra que é muita venda! Tenho 3 teorias: 1 - O Orelhas está a arrumar a tesouraria para ir para as Caiman gozar a PPR em off-shore; 2 - O BES e a CGD desligaram a mangueira de leite eurocredito...deixando os vitelos argentinos e sérvios à mingua; 3- Ressabiado por ter o maior passivo, o Orelhas mandou aviar à dúzia para voltar a "passar" o Sporting.

Enzo venceu o prémio de melhor jogador da Liga. O seu comentário foi "Filhos de uma pu..!" Agora só falta esperar 48h até ele nos explicar o que isso queria dizer em castelhano tourette.

JJ diz que os adeptos obrigaram-no a melhorar (deve estar a falar no Cortês de certeza absoluta).

O Tanaka está a aprender Português. JJ já comentou "Pff...nã sei pakê? O portguês é muta fácile"

Os tripeiros golearam o Valadares por 9-0. Isto de jogar contra louças sanitárias já está tornar-se moda.

O jogador Oliver foi emprestado aos tripeiros sem opção de compra. Ok...então é definitivo. O fecepê é mesmo uma filial dos colchoneros.

Depois de já ter o mini-Henry "Mané", o mini-Patrick Vieira" William Carvalho e o mini-Tony Adams "Tobias Figueiredo"...chegou agora o mini-Messi "Ryan Gauld". Será que vamos ser um misto de mini - Arsenal e mini-Barcelona?

O turco Sezer Ozmen está na lista do Sporting. É um central que não precisa de fazer cara feia para impor respeito.

O avançado chileno ex-Sporting Pinilla, tatuou a sua bola ao poste no Mundial frente ao Brasil. O Raul Meireles adorou a ideia e também vai fazer o mesmo...vai tatuar a bola ao poste do Pinilla.

Os jogadores da Academia não andam lá muito felizes com as contratações do clube. O que querem estes putos? Um sistema de cotas? Ao menos no Sporting só têm de nascer uma vez.

Afinal, o Calendário da Liga foi feito através de copy&paste do sorteiro anterior. O ex-presidente do Nacional vai impugnar o Calendário e Fernando Seara apresentou uma nova lista, espera-se que mais hora, menos hora, venha desistir da mesma.

Os jogadores da Argélia doaram os prémios do Mundial ao povo da Faixa de Gaza. Numa notíca paralela, os jogadores de Portugal vão doar as bananas que sobraram do LIDL aos habitantes da Faixa da Ganza no Casal Ventoso.

SL

domingo, 6 de julho de 2014

Duplo castigo

Punir com suspensão de sócio (mesmo que por um ano) é uma medida que não deve ser tomada de animo leve. Seja quem for o sócio em questão a vítima, seja quem for o sócio em questão o culpado. O facto da direcção só ter feito agora pode indicar que se seguiram todos as fases do processo sem grande urgência e todos calculamos porquê.

Não é de hoje nem de ontem que as direcções (de qualquer clube latino diga-se) tratam todos os assuntos ligados às claques com pinças. É evidente que são uma forte base de força quando coincidem e uma forte força de tracção quando divergem. A suspensão de vários sócios é um acto injusto? É feita no timing correcto? É feita usando os canais de informação ajustados? Aqui pode ter existido mais do que apenas zelo pelos estatutos do clube e crença no direito associativo. Isso é algo que está por esclarecer, mas convinha que ambas as partes o fizessem fora dos holofotes dos media.

Pior do que ter a maior claque "com os azeites" com a Direcção é isso mesmo fazer parte dos assuntos que a imprensa aborda, esmiúça, mastiga em voltas e voltas de uma digestão que tente a apresentar os sportinguistas como uma massa que não se une facilmente.

Todos sabem o historial das claques com as direcções mais recentes e não convinha nada, mesmo nada, que agora além de todas as frentes abertas para fora do clube, esta direcção tivesse de lidar com vozes dissonantes, mas para tal é urgente alguém entender se há razão da JuveLeo para esta tomada de posição. Não gosto de preconceitos. Se há razão, que lhes seja dada. Se não há, que se cumpra o castigo. Era o que desejaria para mim próprio ou algum sócio amigo.

Aplicar justiça é uma grande responsabilidade. Não há nem boa nem má justiça. Há é justiça e injustiça. Os orgãos do clube têm de servir para defender a manutenção de um clima de respeito entre todos e para todos. O clube já foi de uns, agora dizemos que é nosso, ou seja, de todos.

Agora façam-me um favor: deixem-se de comunicados e notas de imprensa. Tratem de tudo dentro do clube. Somos todos sócios do Sporting e que eu saiba os jornais ainda não fazem parte do clube.

SL

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Abel...Caim

Abel nunca teve uma missão fácil. Não é uma personalidade "da casa", não teve a sorte de pegar numa equipa estável, não teve a simpatia dos treinadores principais. Mas há que dizer que enquanto jogador e treinador teve sempre uma postura muito profissional e soube sempre colocar os interesses do clube à frente de muitas coisas.

Um Sporting que pretende ser uma referência de valores no futebol português não pode fazer outra coisa que não seja encerrar o percurso de Abel com algo mais que uma nota de imprensa. Foram 8 anos, não foram 8 meses. Além disso é o estatuto e dignidade do clube que também está em causa. Uma casa sólida que se pretende cada vez mais séria deve em qualquer momento fazer com que quem por lá passa sai de cabeça erguida.

Há dezenas de formas diferentes de mostrar gratidão e tenho a certeza que a Direcção do Sporting saberá escolher a melhor para ambas as partes. Abel, apesar de todos os erros que possa ter cometido, defendeu as nossas cores e foi líder de equipas. Os líderes não fogem por debaixo da mesa nem são empurrados para fora do barco. Há que demonstrá-lo.

Depois...bem depois é outra história. A equipa B não precisa de um tipo qualquer com o grau de habilitação mínimo e com uma experiência qualquer no passado do clube. Precisa de alguém que forme profissionais...sabe quem já lá andou que entre os júniores e os seniores há muitas dificuldades a contornar...não é um "cromo" qualquer que pode estar na base de um sucesso que já deu Melhores Jogadores do Mundo. Não é esse o modelo nem aspiração da Academia.

SL

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um Sporting Clube

Durante anos ouvi a expressão "clube empresa"  para retratar o Sporting do Século XXI. Aquilo provocava-me cólicas. As empresas servem para dar lucro e reparti-lo pelos investidores. Um clube serve para dar condições de prática desportiva aos seus adeptos, ganhar títulos e crescer…não  há lucros…é tudo usado para continuar a crescer e a vencer. A chamada Roquetização do clube teve componentes importantes, sobretudo na profissionalização e credibilização do clube. Mas pagámos o preço por colocar aos destinos "reais" do clube, homens de negócios e não líderes desportivos.

A paixão era heresia e tentaram convencer-nos disso. A paixão era negativa, levava a actos tresloucados de má gestão. Foi banida. Durante quase 15 anos vivemos de mailings, regras de goof finance e cocktails de final de tarde. Tudo muito cerebral, muito Genebra e low profile.

Muito já se escreveu sobre o que é o mandato de Bruno de Carvalho e muito se irá escrever no futuro. Mas uma coisa é certa, não é low profile e não renega nem esconde a paixão. Falha mais ou é mais errática? Não. Falha até menos e o caminho que escolheu é mais ajustado ao futebol e muito mais ao futebol tuga. O que acontece é que se expõe muito mais ao escrutínio público. Porque se irrita e reage a quente, porque barafusta, porque dá murros na mesa e manda muita gente para os sítios onde devem ir. Porque simplesmente mostra o que todo nós somos - seres erráticos capazes de proezas enormes quando confiantes e inspirados…capazes de actos trágicos e absolutamente idiotas em fases mais negras.

A coisa de "estás do contra e estás a minar o sucesso do clube" ou "estás tão tonto que foste levado na conversas destes palhaços" é a mais pura das idiotices. Como se um diálogo tivesse de escolher lados antes de produzir conteúdo. Eliminar a trincheira é o primeiro passo para um clube unido e chegando lá a "paixão" pode correr livremente sem que haja quem se preocupe com os excessos ou falhas de discurso. Um empresário de Cascais é muito diferente de um repositor de Chelas. Mas numa coisa são iguais - são adeptos, são sportinguistas e a Paixão é a mesma. 

Este foi o factor desagregador que fez diminuir o clube. As acções e obrigações, os shares, o growth, os project financies são todos muito lindos, mas é a paixão, os craques, as goleadas, os cânticos, as massas de gente a vibrar no estádio que vão colocar o Sporting no sítio onde pertence. 

A Gala Honoris foi um exercício de emoção, memória e auto-parabenização. Faz falta. Parabéns pelo óptimo trabalho...é esse o caminho. Tenho a certeza.


SL